A grande cidade suméria de Uruk: Uma antiga potência cultural, tecnológica e arquitetônica

Autor: Wu Mingren

Traduzido por: Rafael Barros

Casa de Gilgamesh, Uruk era a principal força de urbanização e para a formação de um estado durante o IV milênio a. C. Na Epopeia de Gilgamesh conta-se que o rei construiu as monumentais muralhas da cidade. Pode ter algo de verdade nessa lenda, já que as muralhas, assim como as outras estruturas da cidade foram de fato desenterradas pelos arqueólogos.

Onde está Uruk?

Uruk era uma das cidades mais importantes da Mesopotâmia meridional. Essa cidade se encontra uns 241 quilômetros (150 milhas) ao sul de Bagdá, a atual capital do Iraque. Na antiguidade Uruk estava situada na orla oriental do rio Eufrates. Ao longo dos milênios, porém, o canal se secou, e seu curso se afastou da cidade até uns 19 quilômetros (12 milhas).

Vista geral do sitio arqueológico da antiga Uruk, situada na atual Warka, Iraque. (OGL)

A antiga cidade de Uruk também é conhecida em árabe como Tell al-Warka, e em aramaico / hebreu como Erec. Se acredita que a localização de Uruk já foi colonizada em uma época antiga como o período de Ubaid (que durou de cerca do VII milênio a. C. até o IV milênio a.C.). Ainda que a história de Uruk pode se rastrear arqueologicamente até o VI milênio a. C., e talvez inclusive, mais para trás, a ascensão da cidade à supremacia na Suméria só se produziu em torno de 3800 a. C. Como Uruk se converteu então na principal força de urbanização e para a formação de um estado na Suméria, o período que durou aproximadamente desde o ano 3800 até o ano 3200 a. C. é conhecido como período de Uruk.

O período de Uruk

O período de Uruk se caracteriza pela formação das primeiras cidades-estados da Mesopotâmia. Durante o período anterior de Ubaid se fundaram aldeias na Mesopotâmia meridional, e essas populações cresceram até se converter em cidade. Essa urbanização continuou, com Uruk na vanguarda. A urbanização dessa antiga cidade é evidente na criação de sua arquitetura monumental.

Selo cilíndrico de jaspe: leões monstruosos e águias com cabeça de leão, Mesopotâmia, período de Uruk (4100 a. C. – 3000 a. C.). (Marie-Lan Nguyen/CC BY 3.0)

Por exemplo, o lendário rei Gilgamesh se lhe atribui tradicionalmente a construção das muralhas de Uruk. Essas poderosas muralhas são mencionadas na Epopeia de Gilgamesh, onde o herói pede a Urshanabi (a versão mesopotâmica do Caronte grego) que as inspecione. Se descobriram diversas partes das muralhas da cidade durante as escavações de princípios do século XX. Outras estruturas monumentais de Uruk são o zigurate de Anu, vários templos de grandes dimensões e edifícios administrativos diversos.

Parte da fachada do templo de Karaindash construído em honra a Inanna, Uruk. (Marcus Cyron/CC BY SA 3.0)
Escavando a antiga cidade mesopotâmica

Uruk tem sido escavada principalmente por equipes de arqueólogos alemãs, e seu trabalho no sítio nos tem ajudado a conhecer melhor essa antiga cidade. Além da monumental arquitetura da cidade, outra evidencia arqueológica serve para demonstrar a ascensão de Uruk na supremacia na Suméria durante o IV milênio a.C. Por exemplo, foi nessa cidade onde foi descoberta a evidencia mais antiga da escrita sob a forma de simples pictogramas inscritos em tabuletas de argila. Se tem encontrado também nela mercadorias de luxo procedentes do estrangeiro, o que indica que a cidade havia estabelecido um comercio com terras estrangeiras. Por outra parte, parece que os governantes de Uruk puseram em prática uma agressiva política expansionista.

Busto masculino, talvez de Lugal-kisal-si, rei de Uruk. Pedra calcária, Período Dinástico Precoce III. Descoberto na antiga cidade suméria de Adab (hoje Bismaia). (Domínio público)
Evidencias de expansão

Inicialmente, a expansão territorial de Uruk centrou-se nas planícies do sudoeste do Irã, ao oeste da Mesopotâmia. Em Susa (uma cidade localizada uns 250 km (155 milhas) ao leste de Uruk), por exemplo, descobriram-se selos e bula (contadores) de cerâmica. Esses objetos serviam a uma função administrativa, e o conceito foi levado provavelmente até ali por pessoas de Uruk.

Parece que a expansão de Uruk chegou ainda mais além. Por exemplo, se tem descoberto cultura material de Uruk em zonas tão longínquas como Síria e o sudeste da Anatólia. A natureza desses assentamentos ainda é tema de debate hoje em dia, já que se tem apresentado diversas opinião sobre referidos lugares. Alguns, por exemplo, tem argumentado que eram colônias ou postos comerciais instalados pelos habitantes de Uruk, enquanto outros tem sugerido que foram construídos por pessoas da zona que tentaram copiar a cultura de Uruk.

Divindades masculinas derramam uma agua doadora de vida desde sendo frascos. (Osama Shukir Muhammed Amim FRCP (Glasg) / CC BY AS 4.0). As divindades sustentam os frascos em suas mãos (Osama Shukir Muhammed Amim FRCP (Glasg) / CC BY AS 4.0). Estatuas da fachada do templo de Inanna situado em Uruk, Iraque. O templo foi construído pelo rei da casa Kara-indash. Finais do século XV a. C. Museu de Pérgamo, Berlin, Alemanha.

A fortuna de Uruk oscilou ao longo do seguinte milênio. Às vezes, Uruk foi capaz de manter sua independência. Durante outros períodos, no entanto, a cidade foi submetida por reis estrangeiros. Uruk continuou sendo uma cidade importante para as diferentes civilizações que chegaram a dominar a Mesopotâmia, como os acádios, assírios, aquemênidas e selêucidas. A cidade foi abandonada finalmente no século II d. C.

Imagem de primeira página: Ilustração de uma cidade mesopotâmica. (Jeff Brown Graphics)

Fonte: https://www.ancient-origins.es/lugares-antiguos-asia/gran-ciudad-sumeria-uruk-004883

Publicado por Ufologia & Cosmos

Sou analista de sistemas apaixonado pelos estudos da teoria dos antigos astronautas.

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