Autor: Mystery Planet Tradução: Rafael Barros
Um sistema estelar vizinho composto por dois sóis tem potencial para abrigar um planeta do tamanho da Terra numa região onde a água líquida pode permanecer. É o que revela um novo estudo focado na complexa dinâmica orbital desses ambientes distantes.

O trabalho, publicado na revista The Astrophysical Journal, faz uma análise do sistema binário conhecido como 70 Ophiuchi. Embora esteja localizado a trilhões de quilômetros de nosso planeta, em termos cósmicos ele se encontra a apenas cinco parsecs de distância, o que o torna um objeto de estudo relativamente próximo.
Órbitas estáveis ao redor da estrela principal
As duas estrelas que compõem 70 Ophiuchi são ligeiramente menores e mais frias que o Sol, atingindo aproximadamente 88% e 73% de sua massa. Apesar de ter sido observado por décadas, os astrônomos ainda não confirmaram a presença de exoplanetas nesse sistema.
Para esclarecer o quadro, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside utilizaram medições precisas sobre o movimento de ambas as estrelas e simularam por computador se um planeta rochoso poderia sobreviver ali, dentro da zona habitável. A pesquisadora Skylar D’Angiolillo liderou a modelagem dinâmica sob a supervisão do astrofísico Stephen Kane.
“O que descobrimos é que órbitas estáveis são perfeitamente possíveis dentro da zona habitável da estrela primária. Seria de se esperar que a segunda estrela interrompesse ou destruísse essas órbitas, mas não é necessariamente o que ocorre”, explicou D’Angiolillo.
Uma troca de paradigmas para futuras missões espaciais
Por sua vez, Kane enfatizou a necessidade de ampliar os critérios de pesquisa ao estudar o cosmos, lembrando que a arquitetura do nosso ambiente imediato não é a regra geral na galáxia.
“Nosso sistema solar, com uma única estrela, é, na verdade, algo incomum. A maioria das estrelas tem companheiras estelares. Muitas vezes, pensa-se nessa segunda estrela como uma bola de demolição que impede a existência de mundos como o nosso, mas as simulações comprovam que devemos considerar sistemas habitáveis muito diferentes da vizinhança terrestre”, observou o astrofísico.

Essa avaliação preliminar é fundamental para filtrar candidatos antes de tentar observá-los diretamente. Além disso, servirá como base estratégica para a missão do Observatório de Mundos Habitáveis (HWO) da NASA, prevista para a década de 2040.
A equipe continuará refinando os dados sobre 70 Ophiuchi. Os cientistas não descartam a possibilidade de detectar um planeta real na zona prevista pelos modelos, mesmo antes do início das missões espaciais de nova geração.
Fonte original: UCR Fonte 2: Mystery Planet





Deixe um comentário