Autor: Jeff O’Connor Tradução: Rafael Barros
Uma das criaturas mais enigmáticas do folclore moderno é o Pé Grande, um humanoide gigante que supostamente se esconde em florestas remotas. Sua natureza esquiva e a infinidade de histórias em torno de sua existência têm intrigado gerações. Da mesma forma, a história bíblica da Arca de Noé cativa tanto crentes quanto céticos, narrando um dilúvio que engoliu o mundo e uma arca contendo um casal de cada criatura viva. Este vídeo busca combinar essas duas narrativas fascinantes, levantando a seguinte questão: se o Pé Grande existe, quantos deles estariam na Arca de Noé?
Arca de Noé
A história bíblica da Arca de Noé descreve como Noé recebeu instruções de Deus para construir uma grande arca que pudesse abrigar a si mesmo, sua família e casais representativos de todos os animais da Terra. Isso foi feito em preparação para um grande dilúvio que exterminaria toda a vida que não estivesse na arca. Uma questão interessante a se considerar é se a criatura lendária conhecida como Pé Grande ou Sasquatch estaria presente na arca. Embora a existência do Pé Grande nunca tenha sido comprovada, examinaremos aqui essa possibilidade e estimaremos quantos Pé Grandes teriam acompanhado Noé em sua viagem.
De acordo com o Livro do Gênesis, Deus estava descontente com a maldade da humanidade e decidiu enviar um grande dilúvio para exterminar toda a vida na Terra. No entanto, Deus mostrou favor a Noé, instruindo-o a construir uma arca de 300 côvados de comprimento para abrigar a si mesmo, sua esposa, seus três filhos, as esposas deles e casais reprodutores (geralmente interpretados como dois) de todos os tipos de criaturas da Terra. Noé fez o que lhe foi ordenado, levando as criaturas para dentro da arca. Em seguida, choveu por 40 dias e 40 noites, inundando a Terra. Após um ano e dez dias, as águas do dilúvio baixaram o suficiente para que a arca encalhasse nas montanhas de Ararat. Noé, sua família e todas as criaturas então desembarcaram para repovoar a Terra.
Pé Grande
O Pé Grande é um famoso criptídeo, ou seja, uma criatura cuja existência tem sido mencionada, mas nunca comprovada. O Pé Grande é geralmente descrito como um humanoide grande, peludo e bípede que habita florestas remotas na região do Noroeste do Pacífico da América do Norte. Embora tenham sido relatados avistamentos em todo o continente, o Pé Grande é mais frequentemente associado às densas florestas do norte da Califórnia, Oregon, Washington e Colúmbia Britânica. Existem também outras criaturas semelhantes ao Pé Grande em todo o mundo, como o Yeti, na Ásia, e o Yowie, na Austrália.
Algumas características principais do Pé Grande incluem sua altura, estimada entre 6 e 10 pés, sua pelagem espessa marrom-avermelhada ou preta e seus pés grandes, dos quais deriva seu nome. Embora existam muitas fotos e moldes de pegadas, evidências fotográficas claras do Pé Grande continuam sendo difíceis de encontrar, e a ciência ainda não confirmou sua existência. Várias teorias sugerem que o Pé Grande poderia ser o elo perdido na evolução humana, um primata ainda não descoberto ou simplesmente fruto de lendas. Ainda assim, o Pé Grande continua sendo um ícone da criptozoologia e uma figura constante no folclore.

Considerações
Primeiro, devemos partir do pressuposto de que o Pé Grande existia na época de Noé. Como nenhuma evidência histórica ou arqueológica daquela época menciona tal criatura, trata-se de uma suposição puramente especulativa.
Segundo, devemos partir do pressuposto de que houve um dilúvio bíblico e que o relato da Arca de Noé é preciso.
Ao considerar quais animais estavam presentes na Arca de Noé, fazia-se uma distinção entre animais puros e impuros. Os animais puros foram levados para a arca em grupos de sete, enquanto dos animais impuros foi levado apenas um casal.
Especificamente, Gênesis 7:2-3 diz:
“Leve contigo sete casais de cada espécie de animal puro, um macho e sua fêmea, e um casal de cada espécie de animal impuro, um macho e sua fêmea, e também sete casais de cada espécie de ave, macho e fêmea, para manter vivas as diversas espécies em toda a terra.” (Nova Tradução Internacional.)
Esse versículo indica que Noé deveria levar mais animais puros (sete casais) do que animais impuros (um casal). O conceito de animais puros versus impuros seria posteriormente aprofundado nas leis levíticas, particularmente em Levítico 11 e Deuteronômio 14, que fornecem diretrizes sobre quais animais eram considerados puros (e, portanto, comestíveis) e quais não eram.
De acordo com essas leis, mamíferos como ovelhas e gado eram puros, enquanto criaturas que se alimentavam de outros animais ou de carniça eram impuras. Por ser um primata aparentado com os humanos, o Pé Grande provavelmente teria sido considerado um animal puro. Nesse caso, sete casais de Pé Grande estariam na arca, totalizando quatorze Pé Grandes.
Como o Pé Grande não é mencionado no texto bíblico, precisamos fazer suposições sobre se ele seria considerado puro ou impuro. Assim, sua aparência peluda e sua natureza misteriosa e selvagem podem ter levado os povos antigos a classificá-lo como um animal impuro.
Partindo, então, da suposição de que o Pé Grande teria sido considerado impuro, apenas um casal reprodutor (dois indivíduos) estaria presente na arca. No entanto, isso levanta outras questões.
Primeiro, precisamos supor que o Pé Grande estivesse restrito a um único local na época de Noé, já que ele recebeu a instrução de reunir dois de cada animal, segundo sua espécie. Isso pode indicar que o Pé Grande existia apenas em uma região naquela época. Segundo, as criaturas do tipo Pé Grande são relativamente raras, com apenas avistamentos isolados relatados ao longo de décadas. O fato de toda a população ter se originado de apenas dois indivíduos levanta dúvidas sobre a continuidade da lenda. No entanto, isso não é exclusivo do Pé Grande. É difícil imaginar diversidade genética suficiente para qualquer espécie resultante de populações limitadas na Arca. Contudo, no contexto da história bíblica, é razoável concluir que apenas um único casal de Pé Grande ou sete casais de Pé Grande estavam presentes a bordo para sobreviver ao dilúvio e repovoar a espécie.
Partir do princípio de que o dilúvio bíblico tenha ocorrido e que o Pé Grande realmente exista, temos que supor que havia dois ou quatorze Pé Grandes na Arca de Noé.
Conclusão
Embora não haja evidências concretas de que o Pé Grande estivesse na Arca de Noé, é possível que ele tenha sido uma das criaturas que estavam na Arca, considerando seu tamanho e sua descrição. No entanto, também é possível que o Pé Grande não estivesse na Arca porque ele não existe, devido à ausência de avistamentos e relatos ao longo da história. Independentemente de o Pé Grande ter estado ou não na Arca, a história da Arca de Noé continua sendo uma parte importante de muitas tradições religiosas e serve como um lembrete da importância da fé, da perseverança e da relação entre os seres humanos e o mundo natural.
Referências
Coleman, L. (2009). Bigfoot!: The True Story of Apes in America. Simon and Schuster.
Elliott, E. (2023). Bigfoot in the Bible?: An Ethnological Study of Spiritual and Religious Beliefs Connected to a Folkloristic Creature.
Loxton, D., & Prothero, D. R. (2013). Abominable science: origins of the yeti, Nessie, and other famous cryptids. Columbia University Press.
Montgomery, J. W. (2018). The quest for Noah’s Ark. New Reformation Publications.
Zink, R. M. (2025). Noah’s Ark: a saga of science denial. Evolution: Education and Outreach, 18(1), 5.
Fonte: Connect Paranormal





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