Autor: Jeff O’Connor Tradução: Rafael Barros
Será que, nos tempos antigos, gigantes vagavam pela ilha de Malta e deixaram para trás incríveis obras arquitetônicas?
A nação insular de Malta possui uma longa história de lendas e folclore. Um dos mitos mais duradouros é o de que gigantes já habitaram as ilhas. Contos sobre seres humanoides gigantescos que viviam em Malta remontam a vários séculos e estão profundamente enraizados na cultura maltesa. Este ensaio apresentará uma visão geral da crença em gigantes ao longo da história maltesa e sua conexão com os Cavaleiros de Malta, que uma vez governaram as ilhas.
Gigantes
Os gigantes aparecem na mitologia e no folclore de muitas culturas ao redor do mundo. Eles são geralmente retratados como seres humanoides de grande estatura e força. O conceito de gigantes ultrapassa as fronteiras geográficas. Desde os Nefilim da tradição bíblica até os Jotun da mitologia nórdica, esses seres colossais estão presentes em todas as culturas. A essas entidades costuma-se atribuir um incrível poder, tanto em termos de força física quanto de influência nos assuntos humanos. Eles são vistos como construtores de antigas estruturas monolíticas e como entidades que fazem a ponte entre o divino e o mortal.
Em Malta, os gigantes fazem parte dos contos populares locais que remontam, pelo menos, à Idade Média. De acordo com os mitos, antigas raças de gigantes povoavam as ilhas maltesas na Antiguidade. Acredita-se que eles tenham construído templos megalíticos e outras estruturas ciclópicas encontradas nas ilhas. Os gigantes eram frequentemente retratados como seres pouco inteligentes, mas imensamente fortes, em constante conflito com humanos de tamanho normal.
Embora os mitos sobre gigantes sejam comuns em todo o mundo, eles têm uma presença particularmente forte em Malta. As lendas locais contam sobre gigantes que viviam em cavernas e buracos no solo.

Templos
O arquipélago da Malta é o lar de uma notável coleção de templos megalíticos, cada um com uma história impressionante que remonta a milhares de anos. Essas estruturas antigas, como os famosos templos de Haġar Qim, Mnajdra e Ggantija, servem como testemunhos físicos das habilidades arquitetônicas excepcionais de nossos ancestrais.
Esses templos, com mais de 5.000 anos, estão entre as estruturas independentes mais antigas do mundo. O tamanho e o peso impressionantes dessas pedras levantam questões sobre como foram transportadas e montadas. Datando de 3600 a.C., esses locais sagrados têm cativado a imaginação tanto dos moradores locais quanto dos visitantes. Seu tamanho colossal e sua construção intricada têm despertado curiosidade e alimentado inúmeras lendas em torno de suas origens. Não é de se surpreender, portanto, que o folclore local atribua a criação desses templos extraordinários a seres de estatura imensa – gigantes.
O próprio nome Ggantija é prova dessa conexão mítica. Derivado da palavra maltesa para gigante, ġgant, ele funciona como um elo simbólico entre essas estruturas monumentais e as criaturas míticas que se acredita serem responsáveis por sua existência.
À medida que se explora esses terrenos sagrados, repletos de enigmáticas formações rochosas e câmaras sagradas esculpidas nas faces das rochas, torna-se cada vez mais difícil não ficar cativado por sua grandiosidade. A mera escala por si só permanece como testemunho da proeza da engenharia demonstrada pelos nossos ancestrais.
No entanto, apesar dos avanços modernos da tecnologia nos permitirem compreender vários aspectos da exploração arqueológica, muitos mistérios ainda envolvem essas surpreendentes criações megalíticas. Como foram construídas? Que técnicas nossos antepassados empregaram? E talvez o mais intrigante – por quê?
Debate
Embora muitos considerem as histórias sobre gigantes meras lendas ou mitos, há um grupo que acredita firmemente na existência desses seres colossais. Esse debate intrigante tem despertado grande interesse entre estudiosos, historiadores e entusiastas.
De acordo com os defensores dessa teoria, existem várias evidências convincentes que sustentam a ideia de que gigantes já vagaram pelas paisagens pitorescas de Malta. Textos antigos e relatos históricos de várias civilizações mencionam encontros com essas figuras imponentes, descrevendo sua imensa estatura física e presença imponente.
Uma fonte significativa frequentemente citada por aqueles que defendem a existência dos gigantes malteses é o antigo folclore transmitido de geração em geração neste arquipélago. Essas narrativas cativantes retratam batalhas épicas entre humanos e gigantes, mostrando feitos extraordinários atribuídos a esses seres maiores que a vida.
Além disso, descobertas arqueológicas têm fornecido algumas pistas intrigantes que não podem ser facilmente descartadas. As enigmáticas estruturas megalíticas espalhadas pelas ilhas de Malta sugerem uma civilização avançada, capaz de construir edifícios monumentais utilizando pedras enormes que chegam a pesar várias toneladas cada. A magnitude e a complexidade envolvidas na construção dessas maravilhas arquitetônicas levaram alguns a acreditar que somente seres colossais poderiam ter realizado feitos tão notáveis.
Enquanto os céticos argumentam que essas estruturas foram criadas por mãos humanas habilidosas, utilizando técnicas inovadoras para a época, os defensores apresentam explicações alternativas baseadas na tradição dos gigantes. Eles propõem que foram, de fato, essas criaturas míticas que projetaram e construíram esses monumentos imponentes.
Existem muitas outras lendas sobre gigantes em Malta. Por exemplo, há uma história sobre um gigante que vivia em uma caverna em Gozo. Diziam que o gigante era tão alto que conseguia alcançar o mar e colher frutas das árvores do outro lado. Outra história conta sobre um gigante que construiu a Azure Window, um arco natural que desabou em 2017.
Um local famoso associado aos gigantes é Għar Dalam, a Caverna das Trevas, em Birżebbuġa. Os fósseis de elefantes anões encontrados ali alimentaram a ideia de que a ilha já foi o lar de seres gigantes. Embora hoje isso seja considerado um mito, muitos malteses acreditavam sinceramente, no passado, que as ilhas haviam sido habitadas por criaturas gigantescas num passado distante.
Cultura
Para a população local de antigamente, a crença em gigantes oferecia uma explicação plausível para essas maravilhas arquitetônicas. Sem as ferramentas e os conhecimentos que possuímos hoje, a ideia de que somente seres de grande força e estatura poderiam mover e posicionar esses blocos de calcário, alguns pesando mais de cinquenta toneladas, era convincente. Com o passar do tempo, essas lendas tornaram-se parte integrante do mosaico cultural de Malta.
Os Cavaleiros Hospitaleiros, mais tarde conhecidos como Cavaleiros de Malta, ajudaram a promover os mitos dos gigantes em Malta. A ordem militar católica medieval governou Malta de 1530 a 1798 e enfatizou a antiga herança cristã da ilha. Lendas de gigantes lutando contra cristãos e construindo megálitos pré-históricos se encaixavam em sua narrativa. Os Cavaleiros usaram contos populares sobre seres gigantescos de um passado pagão para destacar sua própria civilização cristã no presente e no futuro de Malta. Motivos de gigantes surgirem em muitos brasões e lápides dos Cavaleiros dos séculos XVI e XVII.
Embora não fossem literalmente acreditados, os gigantes tornaram-se parte do folclore e da tradição cavalheiresca dos Cavaleiros de Malta. Essas histórias ajudaram a justificar as campanhas militares dos cavaleiros contra os turcos, que eram frequentemente vistos como descendentes dos gigantes.
Conclusão
As lendas dos gigantes nas ilhas maltesas persistem há séculos, desde os contos populares medievais até ao apogeu da Ordem dos Cavaleiros de Malta. Esses mitos adquiriram múltiplas camadas de significado, servindo, por vezes, para explicar as origens desconhecidas dos sítios megalíticos e, outras vezes, sendo utilizados para glorificar o cristianismo. Os gigantes de Malta demonstram como o folclore é moldado pelas forças culturais ao longo das gerações, ao mesmo tempo que as molda. Os mitos antigos continuam a inspirar a literatura e a cultura popular nas ilhas até aos dias de hoje.
Referências
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Fonte: Connect Paranormal





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