Autora: Débora Goldstern Tradução de: Rafael Barros
Há poucas semanas apresentamos uma breve história do escritor de origem russa Zecharia Sitchin, que em 1976 surpreendia o público após publicar O Décimo Segundo planeta. Naquele texto provocador, Sitchin buscou alertar ao mundo sobre a existência de uma raça desaparecida conhecida como os Anunnaki, e que segundo se declara, havia chegado à Terra proveniente de Nibiru, suposto planeta oculto dentro do nosso sistema solar.
Uma vez estabelecido em nosso planeta, os Anunnaki, converteram-se em criadores da nossa atual humanidade. Esse resumo fornecido por Zecharia Sitchin, e que uma vez divulgada fosse rejeitada pelos historiadores, qualificado como exemplo de uma obra incorreta no campo.
Pela controversa, não deteve o debate e os Anunnaki converteram-se na fofoca da jovem internet, que de imediato adotou como suja a proposta lançada por Sitchin.
Considerando o número de relatos sobre os Anunnaki que são inúmeras, proponho ao leitor que se junte a mim na busca por pistas não referenciadas, mesmo além de Sitchin.
Ajustes os cintos, está chegando uma viagem turbulenta.
Samuel Noah Kramer. A história começa na Suméria
“Como a Humanidade no momento da sua criação. Os Anunnaki ainda não tinham conhecimento do pão para se alimentar. Não conheciam das roupas para se vestir. Mas comiam as plantas com a boca, igual que carneiros. E bebiam a água do fosso”. Extraído do poema da criação sumério referenciado por Samuel Noah Kramer em A História Começa na Suméria, 1956.
Nascido em Kiev, atual Ucrânia, Samuel Noah Kramer veio ao mundo em 28 de setembro de 1897. Quando tinha oito anos sua família decidiu migrar aos Estados Unidos para escapar da perseguição judia impulsionada pelo Czar Nicolau II, instalado posteriormente na Filadélfia. Rapidamente seu pai Benjamín Kramer fundou nesse estado uma escola de ensino do hebraico, onde o jovem Samuel realizaria seus primeiros estudos.
Segundo narra o professor espanhol Federico Lara Peinado, desde muito jovem o futuro sumerologista esteva interessado na aprendizagem do Direito, a Filosofia e Egiptologia. Mais tarde já comprometido na aprendizagem de línguas mortal, uma viagem ao Iraque pareceu ir marcando seu destino após ser convidado a participar na escavação de Shurupak, antigo assentamento sumério.

Ainda que nessa cidade não foram reportados monumentos de importância, uma grande carga parecia elevar sua condição ao ser localizadas em suas imediações as chamadas Tabuletas de Fara, legado datado em 2.600 anos de idade, consideradas um dos primeiros documentos escritos conhecidos. Mais tarde pacientes traduções revelariam as ruinas de Shurupak vinculam com o antigo diluvio bíblico. Depois de sua estadia no Iraque, Kramer decide passar tempo na Turquia com o fim de estudar as tabuletas ali conservadas descobertas em Nippur. Assiriologista polonês o prestigiado Ephraim Avigdor Speiser, que se depois se converteria em Chefe da Seção do Oriente Próximo prestando serviços para a inteligência americana durante a segunda Guerra Mundial, seria uma de suas primeiras influências. No entanto, Arnold Poeble notável assiriologista alemão, e que colaboraria com Kramer na redação de um dicionário sobre gramática suméria durante 1930, é quem realmente teria enorme impacto na compilação de sua própria obra como ele mesmo reconhece. Uma vez obtido seu doutorado, Samuel Noah Kramer vai se estabelecer na Universidade da Pensilvânia, torna-se uma referência importante para a compreensão dos idiomas mesopotâmicos, com especialização em sumério.
Tal dedicação permitirá o nascimento por parte de Kramer de uma obra chave no gênero, que foi publicada em 1956, e é atualmente conhecida como A História Começa na Suméria. Me permitiu citar essa obra, porque é aqui onde vinte anos antes que Zecharia Sitchin entrega O Décimo Segundo Planeta, são mencionados os Anunnaki, ainda que numa visão muito diferente à posteriormente divulgada por Sitchin.

Segundo escreve Kramer narrando a composição da antiga cosmologia suméria, antes que o homem nascesse existiam vários deuses governantes. Uma das principais divindades desse antigo panteão primordial é An, considerado como o senhor do céu e deus criador. Durante milhares de anos An foi adorado sem interrupções, até que subitamente substituído por Enlil, chamado o senhor do ar e da atmosfera. Seus atributos fizeram dele “pai dos deuses, rei do céu e da terra, e rei de todos os países”. Em outros hinos mencionados por Kramer, Enlil chega a ser catalogado como o organizador universal. E aqui um esclarecimento muito importante por parte de Kramer enquanto a Enlil, e que acredito ser fundamental para banir certas distorções que estão circulando atualmente.

Escreve Kramer:
“Outros mitos e cantos posteriormente nos ensinam que Enlil era considerado como uma divindade beneficente, responsável do planejamento do universo, de sua criação e do que esse universo continha de melhor. Erro ele quem fazer que se levantasse o dia, quem se compadecia dos humanos, quem direcionava o crescimento de todas as plantas e arvores da terra. Era a fonte da abundância e de prosperidade do país, o inventor da enxada e da lavoura, protótipo das ferramentas que o homem utilizaria na agricultura. Sublinho os recursos benéficos do caráter de Enlil como objeto de dissipar um mal-entendido do que se encontram rastros na maior parte dos manuais e enciclopédias que tratam da religião e da cultura suméria: neles nos informa de que Enlil era um deus, violento e devastador, da tempestade, e que sua palavra e seus atos nunca trouxeram nada além do mal”.
Kramer destaca os mal-entendidos que pensam sobre Enlil categorizado como um deus violento, que atribui a tradições errôneas. Observo essa passagem porque Enlil é visto por alguns pesquisadores como um álter ego do deus hebreu Yahvé, a propósito, acusado as piores coisas. Logo temos Enki, chamado o deus do abismo (Abzu segundo a expressão suméria) e do oceano. Enki também chamado deus da água, sabedoria, e que se ocupava das atividades da terra. Segundo essas linhas aterrissamos nos Anunnaki que fazem sua primeira aparição num poema que se glorifica Enlil.
A primeira linha diz:
“Sobre a Montanha do Céu e da Terra, An gerou os Anunnaki”.
Kramer interpreta a passagem como parte de uma grande cosmogonia que assinava no princípio existia um grande mar primordial. Suas águas deram origem a uma montanha cósmica (Duku ou Dulkug), onde o céu (An) e a terra (Ki), apareciam juntos. Dessa união teria surgido Enlil (elemento ar), quem dividiu ambos. Logo Enlil vai a se juntar om Ki (terra) para dar origem ao universo organizado, entre os quais está o homem. Entretanto, Kramer ao aprofundar nos Anunnaki, refere-se a uma criação especial do deus An, formados antes do próprio homem, ainda que ao parecer necessitavam certa direção para se desenvolver como segue esta enigmática passagem:
Como a Humanidade no momento de sua criação, os Anunnaki ignoravam ainda o pão para se nutrir, ignoravam ainda roupas para se vestir, mas comiam as plantas com a boca, igual a carneiros, e bebiam a agua de poço. Naquele tempo, na «sala da criação» dos deuses, em sua mansão Duku, foram formados Lahar e Ashnan. Os produtos de Lahar e de Ashnan, os Anunnaki do Duku, os comiam, mas ficavam insatisfeitos. Em suas charmosas granjas, o leite, shum, os Anunnaki, do Duku bebiam, mas continuavam insatisfeitos. Então, é isso, para que se ocupasse de suas charmosas granjas que o homem recebeu o sopro da vida”
Como podemos deduzir do que Kramer entregou, que não questiona muito sobre esse ponto, os Anunnakis, também conhecidos como Anunnas (filhos de An), são originários de Duku, não sendo esse outro sítio que a montanha cósmica, o também monte primordial, já mencionado. Porém sobre Duku nos referiremos depois. Outra questão é que os Anunnaki no começo parecem ter uma função celeste ao lado de An, embora posteriormente e sem ter muitas explicações (talvez devido à natureza fragmentária das tabuletas suméria), passam a ter vinculação como submundo sumério (Arali e Abzu). Tal situação parece relembrar a gênese bíblico e seus anjos caídos, descendentes às mansões infernais ou prisão terrestre. Samuel Noah Kramer faleceu em 1990, e me perguntou “qual seria sua opinião sobre as incorreções de Zecharia Sitchin? Certamente ele as teria desaprovado. No entanto, em 1964 o famoso assiriologista vienense publicou Antiga Mesopotamia: Retrato de uma civilización muerta que possui o tema Anunnaki novamente no centro das atenções, ainda que popularizados como os Anunnas.
Dispara contra Nibiru. Todos contra Sitchin
“Então, o chamado “Nibiru” não é outro planeta, é Vênus no passado segundo os antigos egípcios e o que sucedeu é passado. Não há tabuletas sumérias que falem de Nibiru, não existem. Muitas pessoas durante anos o pediram a Sitchin que lhes assinasse em qual tabuleta sumérias estão as referências a Nibiru, mas ele nunca os deu essa informação. Além disso, o nome usado nas tabuletas documentadas para identificar o local original dos Anunnaki é Duku, que significa “o monte sagrado”. Não tem nada a ver com a palavra Nibiru. Em troca, os escritores das tabuletas sumérias falam da constelação Suprema, ou seja, As Plêiades (como Mulmul)”. Antonie Gigal. Hathor e Nebheru, 2000.

Sem dúvidas, uma das passagens mais provocativas apresentadas por Zecharia Sitchin e que mais incomoda provoca entre os pesquisadores, é sua ilusão à existência de Nibiru apontado como o planeta original dos misteriosos Anunnaki.
Segundo narra, Sitchin no 12 Segundo Planeta publicado em 1976, Nibiru representa “o planeta da cruz”. Em seu livro Sitchin cita uma antiga epopeia babilônica como um meio de apoio para sua tese, esquivando-se em seu relatório de dados mais precisos sobre a fonte referenciada.
Ali lemos:
“Planeta NIBIRU: As encruzilhadas do céu e a Terra ocupará. Acima e abaixo, eles não cruzavam, devem esperar. Planeta NIBIRU: Planeta que é mais brilhante nos céus. Ocupa a posição central, e o renderá homenagem. Planeta NIBIRU: Ele é que sem se cansar, segue cruzando por meio de Tiamat. Que “CRUZAR! Seja seu nome-aquele que ocupa o meio”.
Entretanto, cita se uma referência entregue por Thompson, R. Campbell, um antigo especialista em arqueologia antiga e assiriologista britânico, e que em 1990 apresentou: The reports of the magicians and astrologers of Nineveh and Babylon in the British Museum: the original texts, printed in Cuneiforme characters edited with translations, notes, vocabulary, index, and an introduction. (Os relatórios dos magos e astrólogos de Nínive e Babilônia no Museu Britânico: os textos originais, impressos em escrita cuneiformes: editado com tradução e uma introdução), onde Nibiru, segundo pude comprovar, revisando os textos, é efetivamente citado, descrito como um planeta cujo aproximação é esperada como uma grande benção, e de certos distúrbios cósmicos.
Continuando com a sua linha provocativa, Sitchin informa também que Nibiru porta como símbolo central da cruz (lembrete de sinal), mais tarde adotada por outros cultos religiosos. Talvez a evidência mais intrigante de apoia a Nibiru informada por Sitchin seja a selo cilíndrico sumério VA / 243. Sua primeira tradução surge em 1940 através do arqueólogo belga Anton Moortgat e que atualmente repousa no Vorderasiatis-che Abteilung, Museu do Estado de Berlim calculada sua idade em 4.500 anos. Sitchin estabelece que esse selo cilíndrico indica uma cena inédita do nosso passado anterior astronômico, já que ali se retrata um sistema solar com doze planetas, sendo dois deles uma incógnita, Tiamat (antigamente localizado entre Marte e Jupiter junto a seu satélite Kingu) e Nibiru. Após uma colisão entre Tiamat e Nibiru, os restos do primeiro juntou a seu satélite deram a origem a Terra e a sua Lua.
Entretanto, como disse existem alguns questionamentos por parte de especialistas, quanto considera Nibiru como origem dos Anunnaki. Uma delas corresponde à escritora e pesquisadora francesa Antonie Gigal, que atualmente mora no Egito, sendo também muito bem treinada em idiomas orientais. Em 2000 publicou um interessante artigo, Hathor e Nebheru onde não poupam críticas para Sitchin, já que Gigal realmente supõe que Nibiru não é outra coisa senão Vênus, que os egípcios conheciam como Hathor. Outro francês, o contatado conhecido como Anton Parks, propõe Duku como o local de residência Anunnaki, como pode ser visto na tradução entregada por Samuel Noah Kramer. Parks, no entanto, lhe dá uma volta não menos surpreendente à ideia de Sitchin, mencionando o Duku (uma antiga colina primordial), residiria no interior oco de uma brilhante estrela do aglomerado de estrelas, chamada Maia.
Alexander Blade e uma mensagem Anunnaki
“Já estamos aqui, entre vocês. Alguns de nós sempre temos estado aqui, com vocês, mas separados, os observando e ocasionalmente guiando-os cada vez que surgia a oportunidade. Temos sido confundidos como deuses de muitas religiões do mundo, embora não sejamos deuses, mas seus próprios semelhantes, porque aprenderão de imediato, antes de passarem muitos anos”. Extraído de Sun of the Sun, um artigo publicado por Alexander Blade na revista Flying Saucer Review em 1947.

Em 2015 começou a circular na rede um enigmático relatório retratando um suposto contato Anunnaki, encarnado por um intrigante monologo, supostamente originado em 1958 com o título Sun of the Sun obra de um tal Alexander Blade, e que originalmente foi publicado por Flying Saucer Review. Intrigada, me decidi investigar, e após algumas indagações, consegui rastrear a fonte original. Uma primeira pista levou-me para descobrir a identidade por detrás de Blade, pseudônimo de Wilma Dorothy.
Vermilyea, escritora norte-americana, nativa do Oregon 1915-1995, também conhecida como o pseudônimo de Millen Cooke. Devido a que Vermilyea escrevia seu ensaio para uma revista dedicada Às histórias fantásticas e de ficção científica, poderíamos descartar seu texto, mas para algumas coisas. Em primeiro lugar, Sun of the Sun impressa pela primeira vez em novembro de 1947 através de Fantastic Adventures, dirigida pelo famoso editor Ray Palmer.

Como expressa meu amigo colega Håkan Blomqvist em seu excelente Millen Cooke, los ovnis y la tradición esotérica:
“É um artigo notavelmente profético escrito como uma mensagem de um “visitante” que pertence a um grupo secreto na posse de discos voadores. Observe que isso foi escrito no outono de 1947, antes de que apareceriam os primeiros contatados no começo da década de 1950”.

E o fato é que Wilma Dorothy Vermilyea aponta alguns dados não menos que curiosos em seu relato, especialmente sobre OVNIs avançados, como revela esta passagem:
“Alguns de vocês já tenha visto nossa “guarda avançada”. Ruas de vossas cidades e não reparou em nós. Mas quando voamos por vossos céus nos antigos veículos tradicionais ficarás surpreendido… Esses são nossos meios de transporte mecânicos. Agora que a arte de fabricar materiais plásticos tem chegado a certa perfeição entre vós, talvez poderia imaginar um material, quase transparente aos raios da luz visível ordinária, mas o suficientemente forte como para suportar as tensões de um voo extremamente rápido”.
Acontece que, de fato, o nosso Alexander Blade, retomando o seu pseudónimo, também foi escritora uma grande contatada, e como bem documenta Håkan Blomqvist foi iniciada por um misterioso adepto tibetano durante os anos 30. M um artigo escrito por Blade para a Borderland Sciences Research Associates, titulado Narrative of Occult Experience, e deu à luz em 1948, são dadas mais pistas sobre a sua experiência:
“Ele apareceu repentinamente em sua habitação numa noite. “Sua presença me sobressaiu, mas não inspirou medo real e a sua saudação imediata e tranquilizadora pôs-me imediatamente à vontade. Aparentemente era alto, de uns seis pés. Tinha uma pela profundamente oliva, sem barba e seu cabelo preto foi interrompido muito curto. Me disse que era uma pessoa “viva”, tal como eu era, e que o que estava vendo ali na minha habitação era uma projeção, não materialização, uma espécie de “sombra solida” dele”.

Não posso deixar de lado outro evento, seu casamento om um ufólogo britânico e a quem especialmente conheço por sua dedicação à temática subterrânea, o estudioso William Francis Brinsley Le Poer Trench, oitavo conde de Clancarty, e sétimo marquês de Huesden, quem integrava a Câmara dos Lordes. Aparentemente ambos formaram durante um tempo um casamento muito particular assinado por estas questões. Deve-se informar graças a lhe Poer Trench que Blade conseguisse uma reedição de seu artigo em 1958, já que ele foi diretor de Flying Saucer Review. Mas voltando ao artigo de Wilma Dorothy Vermilyea, Sun of th Sun, a confusão enquanto sua vinculação Anunnaki é devido à assinatura do artigo com esse termo, e que a publicação original não há. Para além desta malandragem, Wilma Dorothy Vermilyea, aka, Alexander Blade, Millen Cooke, Millen Belknap, entre outros pseudônimos, revela um conhecimento avançado para sua época. No mesmo ano que se reeditava seu misterioso artigo, 1958, Vermilyea conseguiu capturar com sua câmera um ovni, retratado na área de Vista, California. Talvez um sinal Anunnki. Acredito que sim. Até aqui.

Conclusão
Se os Anunnaki não existissem, teriam de ser inventados, é o que se aposta, e eu não poderia estar mais de acordo, pois, além da controvérsia, sua história parece estar integrada à evolução humana, embora de uma forma ainda não revelada. Estes são os tempos.
Bibliografia
Livros:
- Kramer, Noah. (1985). La Historia Empieza en Sumeria. Barcelona: Orbis.
- Sitchin, Zecharia. (2009). El Doceavo Planeta. Barcelona: Obelisco.
- Scott, Alan R. (2016). Auge y Caída de los Nefilim. Barcelona: Obelis
Sites:
- Flying Saucer Review Magazine
Blade, Alexander. Sun of the Sun.
‘https://avalonlibrary.net/Flying_Saucer_Review/FSR%201958%20vol%2004%20No6/FSR%2058%20v%2004%20No6%20P01.jpg
Harwit Amrani, E. Una historia diferente acerca de los Anunnakis. ‘http://web.petabox.bibalex.org/web/20001014033704/http:/www.vibrani.com/
Murdock, DM. ¿Quiénes son los Anunnakis?
‘http://www.truthbeknown.com/
- Gigal Research
Hator y Nebheru.
‘https://www.gigalresearch.com/uk/hathor-nebheru.php
- Håkan Blomqvist
Millen Cooke, los ovnis y la tradición esotérica. ‘
https://ufoarchives.blogspot.com/2013/04/millen-cooke-ufos-and-esoteric-tradition.html
- La Exuberancia de las Hades
Los Anunnakis.
Los Annunaki
Fonte: CODIGO OCULTO






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