O culto a Hórus: Mitos que se estendem desde o Egito até Roma

Hórus (também conhecido como Heru) foi uma das divindades mais importantes do antigo panteão egípcio. Os antigos egípcios adoravam a Hórus principalmente como o deus dos céus e o deus da realeza. No culto a Hórus, se creia que os faraós, por exemplo, era a encarnação terrena do deus. Hórus se reconhece facilmente graças ao fato de que lhe representa como um homem com a cabeça de um falcão, ainda que o deus também se representa comum como um falcão. O culto a Hórus continua, inclusive, durante o período greco-romano no Egito. Neste momento, no entanto, a representação do deus foi alterada, para se adaptar as mudanças do tempo. Como deus principal, existem numerosos mitos sobre o culto a Hórus que forma uma parte chave da religião do antigo Egito.

Origens de Hórus

Se crê que Hórus foi adorado já no período pré-dinástico tardio. Nesse momento, havia muitos cultos de falcoes no Egito e Hórus foi adorado nesses lugares como um deus local. Um desses centros de culto de falcões eram Nekhen, conhecido também em grego como Hierakonpolis, que significa “Cidade Falcão”. Os habitantes de Nekhen creiam que o rei reinante era a manifestação de Hórus. Quando Narmer, um governante de Nekhen como o unificador do Egito, conseguiu controlar tanto o Alto como o Baixo Egito, esse conceito de faraó como uma manifestação terrena de Hórus alcançou importância nacional.

Estátua de um faraó como manifestação terrena de Hórus (GreenLaurel / Adobe Stock)

O mito de Osíris: rivalidade lendária entre Hórus e Set

A representação de Hórus e Set como eternos rivais surgiu pela primeira vez durante o período dinástico precoce. Segundo uma interpretação, isso pretende simbolizar a rivalidade do Alto e o Baixo Egito, representados por Set e Hórus, respectivamente. No entanto, considerando que ambos deuses tinham centro de culto em ambas as partes do Egito, essa interpretação pode ser um pouco mais problemática. Durante o Antigo Reino, o antagonismo entre Hórus e Set se desenvolveu ainda mais dando como resultado o mito de Osíris.

O mito de Osíris era uma das histórias mais importantes da mitologia egípcia que tem sobrevivido até nossos dias e esse mito nos proporciona uma visão considerável das crenças dos antigos egípcios. O primeiro exemplo desse mito data do século 24 a. C. e forma parte dos Textos das Pirâmides, uma coleção de textos religiosos talhados nas paredes e sarcófagos das pirâmides reais de Saqqara. O mito se volta a volta a contar ao longo da história do antigo Egito, como o demonstra sua aparição nos testos de Ataúd do Meio Reino e o Livro dos Mortos do Novo Reino. Também se encontra uma versão do mito na Moralidade de Plutarco.

A família de Osíris: Osíris em um pilar de lápis lazulita no meio, ladeado por Hórus na esquerda e Isis na direita (Museu do Louvre / CC BY-SA 2.0 FR)Font

Segundo o mito, Osíris foi o primeiro governante em unificar Egito. Osíris tinha um irmão, Sete que cobiçava o trono do Egito para si mesmo. Portanto, Set matou o Osíris, o desmembrou e espalhou os restos de seu irmão por todo o Egito, Isis, a irmã e esposa de Osíris, viaja através do Egito para recuperar os restos diversos. Uma vez que se pegaram todos os restos de Osíris, se voltaram a montar e o rei morto ressuscitou com magia. Curiosamente, segundo a versão do mito de Plutarco, a única parte do corpo de Osíris que não se encontrou foi pênis, já que havia sido comido por três tipos de peixes: o lepidote, o dourado e o pique. Plutarco afirma que essa é a razão pelo qual os egípcios se abstêm de comer esses peixes. Para completar o corpo de seu esposo, Isis criou uma réplica de pelo para Osíris com magia.

Uma vez que Osíris volta da vida, teve relações sexuais com Isis, e Hórus foi concebido. Depois disso, Osíris voltou ao reino dos mortos e se virou em seu governante. A propósito, a versão de Plutarco tem a Hórus concebido e nascido antes do assassinato de seu pai. Em qualquer caso, quando Hórus cresceu, desafiou a seu tio para reclamar o trono do Egito. Na batalha que seguiu, Set foi derrotado e Hórus se virou no novo rei do Egito. Portanto, os faraós do antigo Egito se viam a si mesmo como a reencarnação de Hórus em suas vidas e de Osíris em suas mortes. Durante a batalha, o olho esquerdo de Hórus foi danificado por Set, e posteriormente restaurado por Thoth, o deus da sabedoria e da magia. Como se creia que o olho esquerdo de Hórus era a lua, os antigos egípcios consideravam isso como a explicação das fases da lua. O olho restaurado, conhecido como o Olho de Hórus, ou o Wedjat, virou-se em um culto popular do amuleto de Hórus, como um poderoso símbolo de proteção.

O famoso olho de Hórus em uma peça de papiro (José Ignacio Soto / Adobe Stock)

Outro mito relacionado com a rivalidade entre Hórus e Set é o “Conteúdo de Hórus e Set”, que se encontra nos papiros de Chester Beatty. A história data da Dinastia XX, e se refere mas batalhas travadas entre Hórus e Set para determinar quem seria o legitimo governante do Egito. A diferença do mito de Osíris, onde a batalha entre Hórus e Set era física, os conflitos desse mito também envolveram batalhas de inteligências. Em uma dessas “competições”, Set tenta estabelecer seu domínio sobre Hórus ao inseminar-se, ainda que resultado seria o contrário, do que havia esperado.

A história começa com Sete seduzindo a Hórus e tendo relações sexuais com ele. Quando Set ejacula, Hórus coloca suas mãos entre suas coxas e atrapalha seu sêmen, que logo se jogo no Nilo. No dia seguinte, Hórus, (ou sua mãe Isis) conspira para inseminar a Set. Isso se fez só espalhar o sêmen de Hórus sobre uma rúcula, que se supõem que era a verdura favorita de Set. Portanto quando Set comeu a rúcula, sem saber, também ingeriu o sêmen de Hórus.

Hórus a direita, e set na esquerda, coroando a Ramsés II, desde um relevo no revelo no templo menor de Abu Simbel (Chipdawes / Domínio público)

Posteriormente, Hórus e Set se encontram com os deuses para resolver a questão de quem deve governar Egito. Set é o primeiro em apresentar sua reclamação, e depois de contar-lhe aos deuses sua história, convoca seu sêmen. Para sua grande surpresa, seu sêmen lhe responde do Nilo, invalidando assim sua s reclamação. A continuação, Hórus conta sua versão e convoca a seu sêmen, que lhe responde no interior de Set. Portanto, Hórus foi declarado o ganhador. No entanto, a história não termina aqui, já que o juízo dos deuses continua outros 80 anos. No final, no entanto, Set não pode vencer a Hórus, quem é declarado governante do Egito.

Uma representação de madeira de Hórus (Andrea Izzotti / Adobe Stock)

Hórus como deus do céu

Além disso, de ser um deus associado com a realeza, Hórus também era considerado coo o deus do céu. Como se mencionou anteriormente, se creia que o olho esquerdo de Hórus era a Lua. Seu olho direito, por outro lado, creia-se que era o Sol. Além do mais, se considerava que suas asas era m o céu, e os ventos eram o resultado de seu movimento. Para além, se pensava que as plumas salpicadas no peito de Hórus eram as estrelas. Como o céu e os corpos celestes, se pensava que Hórus era um falcão celestial, no lugar de um homem com cabeça de falcão. E como é de se esperar, o símbolo hieróglifo do deus é um falcão.

O papel de Hórus como o deus do céu também se reflete em vários de seus títulos. Um deles, por exemplo, é Heru-merty que significa “Hórus de dois olhos”, os “dois olhos” se reflete ao Sol e a Lua. Outro é Herakhty que significa “Hórus de Dois Horizontes”, uma alusão à saída e postado Sol. Dessa forma, Hórus muitas vezes se combina com Ra, outro importante deus do antigo Egito. Ao qual que Hórus, Ra também, se representa como um homem com cabeça de falcão. Como uma divindade solar, no entanto, só o representa como um disco solar na cabeça. A propósito, também teve outros deuses locais que forma representados como falcões / homens com cabeça de falcão, incluídos Sokar e Montu, cujos centros de culto estavam em Memphis e Tebas, respectivamente.

Hórus inscrito na parede do Templo de Edfu. (Dezalb / Domínio público)

A popularidade de Hórus continuou com os gregos e romanos

A popularidade de Hórus como uma divindade continua, inclusive depois de que Egito se converteu em partes dos em partes dos mundos helenístico e mais tardem romanos. Isso é evidente no fato de que os gregos que se estabeleceram no Egito deram nomes gregos a várias formas de Hórus. Um deles por exemplo, é Harendotes, derivado do egípcio “Har-nedj-itef”, que significa “Hórus, o Salvador de se Pai”. Essa é uma referência ao mito de Osíris, onde Hórus se vinga do assassinato de Osíris ao derrotar a seu tio Set.

Harpócrates, ou “Hórus do Nilo” era filho de Isis e Osíris (Museu de Artes Walters (Domínio público)

Outra forma popular de Hórus entre os gregos foi Hárpócrates. Esse nome se deriva do egípcio “Heru-pa-khered”, que significa “Hórus, o menino”. Essa forma de Hórus existia antes da chegada dos gregos, porém, mais tarde foi helenizada. O deus normalmente se mostra como um menino que leva um dedo aos lábios, um antigo gesto egípcio que simboliza a infância. Os gregos que viram isso pensavam que o gesto indicava silêncio. . Assim, os gregos confundiram o Harpócrates como o deus do silencio. Dado que o culto a Hárpocrates continuou inclusive durante o período romano, está claro que era uma divindade imensamente popular.

Em alguns casos Harpócrates se submeteu a um processo se sincretismo, mediante o qual se lhe acrescentaram elementos de deuses estrangeiros. Um bom exemplo disso é uma figura de bronze do deus atualmente hospedado no Museu Metropolitano de Arte da cidade de Nova York. Esse artefato dato do período romano e se chama “Harpócrates em uma coroa egípcia e sustentando o bastão de Hércules”. O artefato mostra claramente a combinação do Harpócrates egípcio com o Hércules romano.

Os romanos pareciam ter estado particularmente interessados no sincretismo. Há vários artefatos que mostra como Hórus foi feito para parecer mais romano. Uma delas, por exemplo, é uma figura de Hórus que hoje reside no Museu Britânico de Londres. Essa figura que está feita de pedra calcária, representa a um Hórus com cabeça de falcão em posição sentada. Ainda que os antigos egípcios também retrataram o deus nessa posição, essa estatua tem um parecido mais perto em atitude nas imagens das divindades greco-romanas de grande patente. Mais chamativo é o fato de que esse Hórus está vestido com traje militar romano, cuja descrição é a seguinte:

As plumas do deus falcão se dobram como as escamas de uma camisa de malha (descrita pela expressão moderna lycra plumada), cujas mangas terminam embaixo dos ombros. Um cinto com nó rodeia a cintura, caindo nas pernas em contraste com a posição mais tipicamente representada na cintura natural de um soldado. Uma capa segura nos ombros direito por um perônio de placa redonda se empurra para atrás sobre os ombros, uma prenda separada cobre as pernas.

Uma inusitada escultura romana de pedra arenito do século IV d. C. de Hórus sentado em um cavalo. Rama / CC BY-SA 3.0 FR)

Outro artefato romano, também do Museu Britânico, é uma figura de bronze de Hórus. O deus está de pé e vestido com traje militar romano. Se bem isso pode não mostrar nenhuma conexão entre Hórus e os deuses romanos (exceto, talvez, para Marte, o deus romano da guerra, que também se representa em traje militar), reflete a compreensão romana de que Hórus era um deus guerreiro.

No entanto, uma das representações romanas mais inusitadas de Hórus se encontra no museu do Louvre em Paris. Esse artefato de arenito foi uma vez parte de uma janela e data do século IV d. C. ao qual que as outras estatuas romanas de Hórus mencionadas anteriores, essa também se mostra com traje militar. No entanto, a diferença dessas outras figuras, essa tem o Hórus sentado num cavalo. Não se sabe que os antigos egípcios tinham representado a seus deuses dessa maneira. Ao mesmo tempo, se pode detectar elementos egípcios nesse artefato. Por exemplo, Hórus é retratado de perfil, o qual é bastante comum nas antigas pinturas egípcias. Outro é o tema. Além disso, de Hórus e seu cabelo, também há um crocodilo, que está sendo atravessado pelo deus com cabeça de falcão. O crocodilo tem sido identificado como Set. Portanto, a lança do crocodilo é uma referência ao triunfo de Hórus sobre Set. Para alguns, essa representação se considera o percursor da representação de São Jorge matando um dragão.

O culto de Hórus como um triunfo sobre o bem e o mal

Ao longo da história do antigo Egito, o culto a Hórus foi extremamente importante. Nos mitos nos que aparece, Hórus representa o triunfo do bem sobre o mal, o que pôde explicar sua popularidade ao longo dos séculos. A importância de Hórus como deus, continuou inclusive depois de que o Egito foi conquistado, primeiro pelos gregos e logo pelos romanos. Um exemplo das ênfases postas pelos gregos nesse deus é o Templo de Edfu, um centro importante do culto a Hórus, que o Ptolomeus, os governantes gregos do Egito têm criticado. Além disso, o sincretismo de Hórus e as divindades greco-romanas é uma prova mais da contínua importância de Hórus durante esses períodos posteriores.

Imagem de primeira página: O deus Hórus representado por um falcão no Templo de Edfu. Fonte: Edyta / Adobe Stock

Fonte: https://www.ancient-origins.es/mitos-leyendas-africa/culto-horus-006284

Publicado por Ufologia & Cosmos

Sou analista de sistemas apaixonado pelos estudos da teoria dos antigos astronautas.

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