Autor: Jeff O’Connor                       Tradução: Rafael Barros

A Terra está repleta de enormes monumentos megalíticos. Como e por que foram construídos?

Os monumentos megalíticos são estruturas de pedra maciças construídas sem o uso de argamassa ou concreto. A palavra “megalítico” deriva das palavras gregas “mega”, que significa grande, e “lithos”, que significa pedra.

Historiadores, arqueólogos e o público em geral há muito tempo são fascinados por esses monumentos antigos encontrados em todo o mundo. Apesar das inúmeras hipóteses sobre sua função — de templos religiosos a observatórios astronômicos —, muitos detalhes dessas construções históricas ainda são desconhecidos. Este artigo investiga os mistérios que cercam vários monumentos megalíticos bem conhecidos.

Stonehenge

Localizado na pitoresca região de Wiltshire, na Inglaterra, Stonehenge é uma homenagem à genialidade arquitetônica e à criatividade dos seres humanos pré-históricos. É considerada uma das construções megalíticas mais famosas já erguidas, e seu misterioso traçado fascina as pessoas há séculos. Composto por pedras enormes de tamanho e peso impressionantes — algumas delas pesando até incríveis 25 toneladas —, o complexo desenho circular de Stonehenge nunca deixa de inspirar admiração e especulações.

Stonehenge passou por seis fases de construção entre 3000 a.C. e 1500 a.C. Por volta de 3000 a.C., a primeira fase envolveu a escavação de uma vala circular e um aterro.

A arquitetura meticulosa de Stonehenge contribui para seu ar de mistério. Os povos pré-históricos posicionaram cuidadosamente cada pedra em locais exatos usando ferramentas simples. O transporte desses enormes monólitos de pedreiras distantes acrescenta ainda mais mistério à sua existência na Planície de Salisbury.

Além disso, todos que visitam Stonehenge atualmente ficam impressionados com seu enorme tamanho. Sem acesso a equipamentos modernos ou conhecimentos de engenharia, como nossos antepassados conseguiram realizar um feito tão notável? Essa pergunta só reforça o sentimento de respeito por aqueles que habitaram este lugar há milhares de anos.

Sua finalidade tem sido descrita como tudo, desde um local sagrado de sepultamento até um observatório astronômico, mas nenhuma explicação específica foi comprovada por evidências concretas.

Rochas de Carnac

As Rochas de Carnac, localizadas em Carnac, na França, são um conjunto de construções megalíticas neolíticas composto por milhares de pedras erguidas, dispostas em alinhamentos, círculos e fileiras. Acredita-se que tenham sido erguidas pelos habitantes pré-históricos da região, datando de 4.500 a 3.300 a.C.

As pedras variam em tamanho, desde as que pesam muitas toneladas e têm seis metros de altura até peças menores e mais intricadamente esculpidas. Os inúmeros quilômetros de alinhamentos que compõem as Pedras de Carnac criam um ambiente singular e de tirar o fôlego, que atrai visitantes e pesquisadores de todo o mundo.

Cada pedra tem uma história e uma função distintas, apresentando-nos uma infinidade de perguntas sem resposta. Esses monólitos marcavam os limites ou serviam de marcos de terras antigas ou locais sagrados, de acordo com certas hipóteses. Outros afirmam que eram utilizados para observações astronômicas devido ao seu alinhamento com os corpos celestes.

Rochas de Carnac

Machu Picchu

Situada no alto da Cordilheira dos Andes, no Peru, Machu Picchu é por vezes equivocadamente identificada como uma construção megalítica. Apesar de não ser uma construção megalítica no sentido tradicional, Machu Picchu é um exemplo impressionante de alvenaria pré-histórica. Construída no século XV pelos incas, destaca-se por seus métodos de construção precisos, particularmente pelo uso de pedras encaixadas sem a necessidade de argamassa.

Acredita-se que Machu Picchu funcionava como um refúgio para a elite inca, oferecendo-lhes um descanso da vida agitada de Cusco, a capital. Uma teoria sustenta que Machu Picchu serviu como uma fazenda experimental. A localização era perfeita para experimentar diversas espécies de culturas devido aos seus microclimas variados. Alguns argumentam que Machu Picchu era um local sagrado, um local para a realização de atos espirituais e cerimoniais em sintonia com eventos celestes, devido à sua magnificência e isolamento. Algumas pessoas supõem que os astrônomos incas usavam o edifício como um observatório altamente desenvolvido, já que suas estruturas se alinhavam com ocorrências astronômicas. Outros acreditam que Machu Picchu serviu como uma fortaleza militar tática para repelir invasores no sul do Império Inca. De acordo com muitas teorias, Machu Picchu funcionava como um centro de aprendizagem para a aristocracia inca, ensinando-lhes disciplinas avançadas como astronomia e agricultura.

Göbekli Tepe

Um dos templos mais antigos já encontrados é Göbekli Tepe, um sítio arqueológico no sudeste da Turquia. O local abriga cerca de 200 construções megalíticas de pedra que datam de 11.000 a.C., sendo pelo menos 7.000 anos mais antigas do que Stonehenge e as pirâmides de Gizé. Entre as construções encontram-se enormes pilares de pedra em forma de T com seis metros de altura, alguns dos quais apresentam pictogramas de animais e insetos gravados. O local é digno de nota porque representa um salto de 7.000 anos na sofisticação da construção humana. Isso sugere que as comunidades paleolíticas exibiam um nível de ordem social mais elevado do que se pensava anteriormente. A razão por trás de seu enterramento intencional pelos habitantes locais da época poderia ser seu valor cerimonial como local sagrado. A função exata de Göbekli Tepe e as circunstâncias por trás de seu abandono ainda são desconhecidas. O local oferece pistas importantes sobre o desenvolvimento da espiritualidade humana, redes sociais complexas e capacidades de trabalho ao longo da era paleolítica.

Ilha de Páscoa

Os Moai da Ilha de Páscoa são enormes monólitos de pedra que se alinham ao longo da costa da ilha e funcionam como sentinelas enigmáticas. Essas magníficas estátuas, com suas cabeças enormes e rostos alongados, foram criadas pelos primeiros colonizadores polinésios da ilha entre 1250 e 1500 d.C. Elas estão entre as realizações criativas e arqueológicas mais importantes da civilização do Pacífico. O povo Rapa Nui diz que os Moai são as almas encarnadas de seus ancestrais, enviadas para guardar e vigiar suas cidades. De acordo com alguns antropólogos, os Moai tiveram origem em clãs ou tribos rivais que competiam entre si para produzir as estátuas maiores e mais habilmente trabalhadas da ilha. Segundo uma interpretação, os Moai foram construídos em resposta às mudanças ambientais da ilha, talvez em um esforço para agradar aos deuses e trazer o ecossistema de volta ao equilíbrio. Algumas pessoas acreditam que o propósito dos Moai, que são essencialmente enormes lápides ou memoriais, era honrar e preservar a memória de chefes ou guerreiros notáveis.

Moai na Ilha de Páscoa

Avebury

Avebury é um imponente monumento neolítico do tipo henge que circunda uma vila em Wiltshire. É menos conhecido do que Stonehenge, mas igualmente misterioso. Ao contrário de Stonehenge, Avebury possui mais círculos de pedra, e sua área de ocupação mais ampla sugere uma finalidade diferente — possivelmente mais comunitária. O tamanho imenso e a quantidade de trabalho necessária para construir o monumento indicam uma sociedade altamente desenvolvida com objetivos profundamente arraigados.

O henge consiste em uma grande vala circular e um aterro, abrangendo aproximadamente 28 acres. Três anéis de pedra podem ser vistos dentro do henge; o maior tem cerca de 1.100 pés de diâmetro e antigamente abrigava cerca de 100 enormes pedras erguidas. A construção do monumento começou na era Neolítica, entre 2850 e 2600 a.C., e a adição dos círculos de pedra provavelmente ocorreu vários séculos depois. Avebury pode ter servido como local para rituais e cerimônias relacionados à astronomia, culto aos ancestrais ou outras atividades espirituais ou religiosas, embora sua função e significado exatos permaneçam desconhecidos.

Rochas de Callanish

As Rochas de Callanish são um conjunto de menires dispostos em forma de cruz na Ilha de Lewis, na Escócia. Provavelmente foram erguidas por construtores desconhecidos durante a era Neolítica, entre 3000 e 2900 a.C. Apresentam um alinhamento astronômico distinto e são cerca de 500 anos mais antigas que Stonehenge. O local tem raízes profundas nos costumes e nas lendas locais, com o folclore associando as pedras a gigantes petrificados que se recusaram a se converter ao cristianismo. O círculo principal de pedras possui um monólito central rodeado por 13 pedras, algumas das quais com até cinco metros de altura, dispostas em forma de cruz. A área circundante tem cerca de 800 metros quadrados, com vários círculos e fileiras de pedras. As teorias sobre o significado e a finalidade das pedras variam de observações astronômicas a locais de rituais, túmulos funerários ou marcos territoriais.

Análises

Esses locais foram construídos por sociedades pré-alfabetizadas, pelo que não existem documentos escritos que expliquem sua finalidade ou as técnicas utilizadas na sua construção. Esse é um traço comum às suas origens pré-históricas. Métodos arqueológicos modernos, como análise de solo e sensoriamento remoto, geraram novos problemas e proporcionaram novas percepções. Os alinhamentos astronômicos precisos descobertos em várias construções megalíticas revelam que esses povos antigos estavam longe de ser os bárbaros primitivos que se pensava há muito tempo, indicando uma consciência sofisticada dos acontecimentos celestes.

Costumamos recorrer a mitos e à pseudoarqueologia para preencher as lacunas em nossa compreensão dos monumentos megalíticos. Isso pode envolver referências a sociedades extintas, influência alienígena ou o uso de tecnologias arcanas ou perdidas. Embora a comunidade científica geralmente rejeite essas teorias por carecerem de suporte empírico e se basearem frequentemente mais no sensacionalismo do que em uma análise cuidadosa, elas têm a capacidade de captar a atenção do público.

Seria fácil acreditar que esses locais antigos foram construídos por alienígenas. Por outro lado, perceber que nossos antepassados eram inteligentes e capazes de realizações extraordinárias é ainda mais surpreendente. Atribuir o mérito a qualquer outra entidade é desrespeitoso para com a memória deles. Eles não precisaram de extraterrestres, visitantes do futuro ou habitantes da Atlântida. Eles construíram tudo por conta própria.

Conclusão

Os monumentos megalíticos, que são laços físicos com nosso passado antigo, continuam a exercer uma forte influência sobre nossa imaginação coletiva. O fato de terem sido criados por sociedades tão diferentes das nossas, mas capazes de realizar feitos tão impressionantes de colaboração e trabalho manual, atesta a criatividade humana universal ao longo da história. Os mistérios que cercam seus usos, técnicas de construção e as comunidades que os ergueram nos lembram da vasta extensão da história humana que permanece inexplorada. Com o avanço da arqueologia e de campos relacionados, talvez venhamos a aprender mais sobre essas construções misteriosas. Por enquanto, os monumentos megalíticos continuam sendo um mistério fascinante e impressionante, uma lembrança dos períodos complexos e inexplorados da história da humanidade.

Referências

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Midgley, M. (2010). Monuments and monumentality: The cosmological model of the world of megaliths. Documenta Praehistorica, 55-64.

Nash, D. J., Ciborowski, T. J. R., Ullyott, J. S., Pearson, M. P., Darvill, T., Greaney, S., … & Whitaker, K. A. (2020). Origins of the sarsen megaliths at Stonehenge. Science Advances6(31), eabc0133.

Scarre, C. (2018). Megalithic people, megalithic missionaries: the history of an idea. Estud. Arqueol. Oeiras24, 161-74.

Fonte: Connect Paranormal

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