Autor: Jeff O’Connor                                   Tradução: Rafael Barros

Existem várias teorias sobre os Vigilantes no Livro de Enoque, que vão desde histórias mitológicas até anjos caídos e alienígenas.

O misterioso texto judaico antigo conhecido como Livro de Enoque está repleto de tradições celestiais e visões apocalípticas que vão além do discurso teológico convencional. Essa obra, atribuída ao patriarca antediluviano Enoque, oferece uma investigação envolvente sobre o sagrado e o profano, a vingança celestial e a transgressão terrestre. Os Vigilantes, enigmáticos supervisores celestiais cujas histórias de queda e mistura proibida com mulheres humanas deram origem aos Nefilim, uma raça de gigantes envolta em mitos e mistérios, tornam-se figuras-chave em suas páginas.

As histórias encontradas no Livro de Enoque chamaram a atenção de teólogos e teóricos, com alguns interpretando-as como possíveis encontros com vida extraterrestre.

Esta obra não canônica, reverenciada pela Igreja Ortodoxa Tewahedo da Etiópia e pela Igreja Ortodoxa Tewahedo da Eritreia, é atribuída a Enoque, bisavô de Noé. Ela fornece informações detalhadas sobre seres celestiais, suas interações com a humanidade e as consequências catastróficas de suas ações.

Livro do Enoque

Os Vigilantes

Os Observadores, seres celestiais caracterizados como vigilantes defensores do mundo humano, estão no centro desta história. Embora o Livro de Enoque não entre em grandes detalhes sobre as características físicas dos Vigilantes, é amplamente aceito que eles se assemelhavam às imagens angelicais típicas, pois são intimidadores, radiantes e inspiradores. Ocasionalmente, são descritos como possuidores de asas e da capacidade de assumir forma humana, o que lhes permitia comunicar-se com as mulheres. Sua origem celestial é frequentemente destacada, com comentários enfatizando suas auras de luz e presença sobrenatural.

Essas criaturas, cujas origens e subsequentes transgressões geraram considerável discussão, são frequentemente identificadas com os filhos de Deus, que, segundo a Bíblia, foram atraídos pela beleza das mulheres humanas e, por isso, criaram os Nefilim, uma raça mista. Os Nefilim bíblicos, que são referidos como gigantes, heróis antigos e indivíduos bem conhecidos em Gênesis 6, são os descendentes desse acasalamento.

Além de seus relacionamentos com mulheres humanas, os Vigilantes são conhecidos por revelar à humanidade conhecimentos proibidos. Eles transmitiram aos humanos conhecimentos sobre uma variedade de ofícios e tecnologias, incluindo metalurgia, construção de armas, fabricação de cosméticos e uso de plantas medicinais. Eles também divulgaram informações que eram consideradas divinas e impróprias para o consumo humano, como as órbitas da lua e das estrelas.

A história dos Vigilantes é surpreendentemente semelhante a outros textos antigos, como os que tratam dos Anunnaki, deuses da antiga cultura mesopotâmica, que alguns também interpretaram como uma história de visitantes extraterrestres notáveis por sua influência genética e tecnológica significativa na civilização humana.

Essas visões sugerem que os Vigilantes e os Anunnaki poderiam ser representações da mesma entidade ou fenômeno sob muitos pontos de vista culturais. Os Anunnaki, que se acredita terem descido do céu para a Terra, são semelhantes aos Vigilantes no sentido de que transmitem um conhecimento profundo e interagem com as pessoas. Embora esse conhecimento tenha promovido o avanço das comunidades humanas, também causou imoralidade generalizada e a eventual purgação pelo Grande Dilúvio. Essa decadência moral era reminiscente da depravação mencionada no Livro de Enoque.

O Livro de Enoque continua explicando que duzentos Vigilantes, sob a liderança de Azazel e Semjaza, chegam ao Monte Hérmon e fazem um pacto para cometer seu crime. Agindo como intermediário, Enoque — uma pessoa que existiu antes do Dilúvio e é conhecida por ter sido levada ao céu por Deus — fala aos Vigilantes em nome do julgamento. Seus clamores por perdão não são ouvidos, mesmo que sejam transmitidos por Enoque. Seu fim trágico serve como um forte lembrete para todas as criaturas, tanto mortais quanto imortais, dos perigos de desobedecer à lei divina.

Após o Dilúvio, os Vigilantes são aprisionados no abismo até o grande julgamento, e seus descendentes, os Nefilim, transformam-se em espíritos malignos que atormentam a humanidade até hoje.

A história dos Vigilantes, que foram punidos de forma semelhante por interferirem nos assuntos humanos, tem paralelo no Livro de Enoque com sua punição final de serem acorrentados e jogados em um abismo até o Dia do Juízo Final. A ideia de que os Nefilim, descendentes dos Vigilantes, e o envolvimento dos Anunnaki com os humanos são as fontes dos espíritos malignos que assombram a humanidade entrelaça ainda mais as mitologias.

Anjo Caído

Anjos caídos

Uma das interpretações mais notáveis e duradouras do legado do Livro de Enoque é que os Vigilantes são anjos caídos. Essa interpretação apresenta esses seres celestiais como mensageiros divinos que, em vez de proteger e guiar a humanidade, cederam às tentações terrenas. Essa história ressoa com temas teológicos mais gerais de rebelião e as repercussões da desobediência à intenção divina.

A queda teológica dos Vigilantes é entendida como resultado de duas falhas: primeiro, eles falharam em sua responsabilidade celestial de permanecer puros e leais a Deus e, segundo, falharam em seu dever moral de manter a ordem natural, evitando o contato com os humanos. Essa explicação tem fortes origens na filosofia cristã, onde a ideia de anjos caídos é frequentemente ligada à história mais ampla da rebelião de Lúcifer contra Deus, conforme relatado em escrituras como o Livro do Apocalipse e Isaías 14:12–15.

De acordo com a doutrina cristã, os Vigilantes e outros anjos caídos foram expulsos do Céu como resultado de sua desobediência e não têm mais uma posição no reino celestial. Trata-se de uma expulsão tanto espiritual quanto física, significando uma profunda ruptura com Deus e com a luz do Céu. Assim, o estado decaído dos Vigilantes serve como uma metáfora para a ideia mais ampla de queda e redenção que permeia a teologia cristã.

Foi proposto que as ações dos Vigilantes e, consequentemente, os potenciais visitantes alienígenas que eles representam, têm impacto em várias mitologias, incluindo o folclore relacionado às fadas. As semelhanças entre os Observadores roubando mulheres e as histórias de fadas sequestrando humanos em todos os povos da Terra apontam para uma mitologia comum. As fadas são conhecidas por terem um conhecimento profundo, que às vezes compartilham com os humanos. Isso é semelhante à forma como os Observadores ensinaram artes e ciências proibidas aos humanos. Essas semelhanças sugerem que a história dos Observadores pode ter sido um mito subjacente que moldou uma grande variedade de contos populares em muitas culturas, entre eles os contos de fadas.

Conclusão

Com suas descrições detalhadas do mundo celestial e dos anjos caídos, o conteúdo do Livro de Enoque se afastou das doutrinas ortodoxas do cristianismo e do judaísmo. Sua complexa teologia sobre anjos e demônios, juntamente com a história das causas do Grande Dilúvio, contradizia as respostas mais diretas e menos teóricas apresentadas nos textos canônicos. Por isso, foi proibido na Bíblia. Outros afirmam que os primeiros líderes cristãos estabeleceram uma ligação dos Vigilantes com sociedades extraterrestres para impedir que o livro fosse canonizado, pois abordava questões teológicas desafiadoras.

De acordo com essa interpretação ampliada, o Livro de Enoque funcionaria como um possível registro pré-histórico das primeiras interações da humanidade com entidades alienígenas, além de ser uma obra religiosa e mitológica. Os Vigilantes, também conhecidos como Anunnaki, tornam-se profetas tanto da revelação quanto da destruição — um legado duplo que perdurou através dos tempos em uma variedade de formas, do celestial as fadas, e do divino ao alienígena. Por causa disso, o Livro de Enoque continua a ser uma história fascinante que examina os efeitos do poder e o fascínio eterno pelo desconhecido — seja ele de origem celestial, mágica ou alienígena.

Fonte: Connect Paranormal

4 respostas a “Os Vigilantes: Anjos, Alienígenas ou Mitos? Desvendando o Livro de Enoque”

  1. O artigo faz um ótimo trabalho ao explorar os Vigilantes sob diferentes perspectivas: religiosas, mitológicas e até teóricas sobre contatos extraterrestres. É interessante como o mesmo mito serve para discutir moral, poder, conhecimento e transgressão, mostrando que essas narrativas antigas ainda têm relevância para compreender a humanidade e nossas crenças sobre o sobrenatural. Gratidão por compartilhar conosco.🙂🙏🏻✨📖✍🏻🌃

    Curtido por 1 pessoa

    1. Fico agradecido em saber que gostou desse texto, isso mostra que meu trabalho e esforço está tendo resultado.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Sem dúvida, seus textos possuem temas relevantes. Gratidão, tenha uma excelente semana!🙂🙏🏻

        Curtido por 1 pessoa

Deixar mensagem para Expansão e Percepção Cancelar resposta

Tendência