Localizando a lendária Paititi: A última cidade Inca perdida há muito tempo

Autora: Shannon Powelson

Tradução de: Rafael Barros

Um segredo de quase quinhentos anos se encontra nas profundidades dos Andes peruanos. O desejo de conhecer esse segredo apaixonou os corações e as mentes de muitos exploradores de diferentes épocas e origens. À medida que a selva espessa seu véu, a curiosidade se faz mais forte. Esse segredo é a localização de Paititi, a última cidade lendária dos incas na América do Sul. Cada explorador se aventurou nos Andes e a selva de alta altitude, pensando que tinham o necessário para encontrar a Paititi. Todos se encontraram com os mesmos resultados, fracasso ou morte. Mas agora mais do que nunca, os cientistas finalmente estão perto de descobrir de uma vez por todas essa localização tão buscada mediante o uso da investigação interdisciplinar. A combinação de expedições tradicionais e a investigação de recursos escritos com a tecnologia GIS moderna faz do descobrimento de Paititi um objetivo alcançável.

Investigação Paititi é um projeto internacional impulsionado por entusiastas que estão revolucionando a dinâmica da busca do lendário lugar chamado Paititi. Usando tecnologia de geoinformação para buscar possíveis sítios arqueológicos no Peru, a Investigação Paititi está conectando verdadeiramente a aventura e a ciência.

Terraços incas inexploradas encontradas em Choquecancha num possível caminho a Paititi. (Equipe de Investigação de Paititi)

Paititi: última cidade dos incas

Para compreender a investigação, primeiro devemos saber onde está Paititi. Crê-se que Paititi é o último refúgio dos incas. depois de uma investigação substancial, os cientistas creem que Paititi pode ter sido o local dos Chachapoyas, guerreiros e hábeis construtores governados pelos incas na região norte de Cusco.

Até a chegada dos espanhóis na América do Sul em 1532, existia o Império Inca, Tavantisuyu (“Quatro Cantos” em quéchua), que era a estrutura política mais potente do continente. Governado desde a sua capital, Cusco, controlava vastas áreas que cobriam parte do Peru, Equador, Colômbia, Bolívia, Chile e Argentina. A civilização Inca, ainda que muito desenvolvida nos aspectos políticos, administrativo e urbano, faltava do uso de cavalos, armaduras e armas de fogo para a guerra. Armados somente com arco e flecha, os guerreiros incas não eram rivais para Francisco Pizarro, o brutal conquistador espanhol. Pizarro poderia capturar o imperador Inca Atahualpa, e obrigar a seus guerreiros a se retirar. Os restos da realeza inca escaparam para Vilcabamba, situado nas terras baixas cobertas de florestas ao nordeste de Cusco.

Mas, depois de algumas décadas, seu pequeno estado caiu e o último governante inca, Tupac Amaru, foi capturado e executado. Assim chegou a seu fim o capítulo final da história Inca. Nos séculos seguintes as ruinas de Vilcabamba e seu paradeiro caíram no esquecimento com o bosque ganhando terreno.

Nesse meio termo, começaram a aparecer lendas e testemunhos, que apontavam a existência de outro importante centro desconhecido da civilização inca: Paititi. Segundo algumas das lendas, deveria estar localizado na região selvagem e inexplorada o nordeste de Cusco. Durante centenas de anos, muitos exploradores têm tentado encontrado a Paititi explorando a região com mapas e contos antigos. No entanto, o meio hostil, a vida silvestre e o terreno têm impedido até agora qualquer descobrimento relevante sobre onde está realmente Paititi.

Aqui é onde a Investigação Paititi está trocando o jogo. Em lugar de aventurarmos as cegas em um território inexplorado, primeiro temos completado uma extensa investigação. Esse enfoque científico da exploração já está dando muitos resultados positivos.

A ciência utilizada para determinar onde se pode encontrar Paititi

A parte difícil de buscar Paititi é que a região é em sua maior parte inexplorada, muitas partes do terreno são intransitáveis e a vegetação é densa e obstrutora. Devido a essas condições, Investigação Paititi utilizou sensoriamento remoto e sistemas de geoinformação (GIS) para sua investigação. O primeiro proporcional informação atualizada sobre as áreas mais inacessíveis de satélites terrestres artificiais. O segundo proporciona ferramentas para a organização de dados e uma análise aeroespacial completa.

Baseado em software especializado como PostGIS, Earth Engine e QGIS, a Investigação criou um GIS multiusuário e uma base de dados dedicada que fundiu todo tipo de dados relacionados com Paititi. Inclusive imagens de satélite e aéreas (por exemplo, GeoEye-1, RapidEye e UAVSAR), mapas antigos e modernos, testemunhos escritos e verbais, resultados de outras expedições, documentos autênticos e lendas. Esse conglomerado de informação deu como resultado resultados sem precedentes e permitiu a Investigação Paititi realizar análises geográficos sofisticados. Por exemplo, a equipe avaliou as características morfométricas do terreno, modelou os fluxos de água, calculou a radiação entrante, explorou paisagens em 3D etc. A análise de todos esses dados foi fundamental para delimitar a área que poderia conter Paititi.

Criação de um mapa da rede fluvial numa região objetivo utilizando um modelo de elevação digital (esquerda) e georreferenciamento de mapa antigos (direito). Equipe de investigação de Paititi)

Um mapa da rede fluvial na região objetivo foi crucial para encontrar Paititi. As fontes literárias, os mapas antigos e os relatos verbais mencionaram os rios como marcos. Portanto, para estudar e aplicar a informação dessas fontes, se necessitava um mapa com os nomes dos rios. Mediante o uso de um modelo de elevação digital (DEM), Investigação Paititi construiu uma rede de rios e etiquetou os nomes dos rios. A captura de tela anterior mostra o processo de georreferenciamento de mapas antigos com os diferentes meandros dos rios conhecidos.

Outra possibilidade importante necessária nos mapas foram as características morfométricas do relevo das áreas potenciais. Os entornos montanhosos limitam o movimento, pelo que não se podem realizar assentamentos em terrenos com certas pendências. Vários estudos na região alpina já confirmaram essa ideia. Portanto, se estudou a pendência superficial de assentamentos antigos e modernos na área de interesse, como as ruinas de Vilcabamba e assentamentos no vale do rio Yarero. Encontrou-se que todos os lugares povoados tinham uma pendência de menos de vinte graus. Isso reduziu significativamente as áreas que poderiam conter Paititi.

Além disso, também se criou um mapa de radiação solar. As áreas com pouca radiação solar são desfavoráveis para a vida. Portanto, a Investigação Paititi criou um mapa de distribuição da radiação solar. A equipe utilizou os níveis de radiação dos assentamentos modernos e as ruinas existentes para delimitar ainda mais as possíveis área que contenha Paititi. Para poder interpretar melhor todos esses mapas, a Investigação utilizou modelos tridimensionais.

Finalmente, a partir dos mapas discutidos anteriormente, criaram-se mapas temáticas. Esses mapas incluem o Mapa de transitabilidade e o Mapa de adequação do assentamento. O Mapa de Viabilidade se criou utilizando a falta de superfície e a densidade de árvores. Esse mapa mostra as áreas onde as pessoas podem e não podem caminhar a é e se utilizou para planejar as rotas da expedição da equipe de investigação de Paititi. As áreas de cor verde escuro no mapa corresponde a área altamente transitáveis, enquanto o vermelho significa “intransitável”.

Além disso, a Investigação Paititi criou o mapa de adequação do assentamento utilizando os mapas de declive e radiação solar explicados anteriormente. Esse mapa mostra área planas e bem iluminadas que são adequadas para atividades humanas que poderiam conter sítios arqueológicos incas. A seguinte imagem mostra um fragmento do mapa de adequação do assentamento na área próxima de Machu Pichu.

Fragmento do Mapa de Adequação de Assentamentos na área em torno de Machu Picchu. (Equipe de investigação de Paititi)

Como pode ver, o famoso sítio Inca está situado numa zona verde, o que significa que a área é adequada. O vermelho corresponde a região muito inadequadas.

A área inicial de nossa investigação foi de aproximadamente 1300km² (502 milhas quadradas). Depois de cartografar a adequação dos assentamentos, reduzimos drasticamente a área da investigação. Se concentrando em zonas muito adequadas, a equipe estudou imagens de alta resolução em diferentes faixas espectrais: visível, infravermelho próximo e micro-ondas. Isso revelou padrões e estruturas que se interpretaram como possíveis sítios arqueológicos. Alguns deles indicam-se na continuação. Essas três imagens cobrem a mesma área, mas ressaltas diferentes aspectos: imagem ótica multiespectral, mapa de adequação de assentamento e imagem de radar.

Uma única área que ressalta três aspectos diferentes (da esquerda para direita): imagem ótica multiespectral; mapa de adequação de assentamentos; imagem de radar. (Equipe de investigação de Paititi)

Outro resultado interessante do trabalho da equipe de investigação de Paititi foi o mapa da rede de estradas potenciais dos Incas. Utilizando parâmetros do terreno, imagens de satélites e ruinas e trilhas incas já conhecidos, a equipe conseguiu reconstruir o antigo sistema de caminhos incas para a região de seu estudo. Esse mapa também se pode explorar e investigar em busca de sítios arqueológicos. A captura de tela do GIS a continuação mostra um fragmento do mapa com trilhas incas descobertos (linhas laranjas contínuas) e caminhos reconstruídos (linhas interrompidas), sobrepostas numa imagem de satélite de alta resolução.

Uma captura de tela GIS que mostra um fragmento do mapa com trilhas incas descobertas (linhas laranjas contínuas) e caminhos reconstruídos (linhas interrompidas), sobrepostas numa imagem de satélite de alta resolução. (Equipe de Investigação de Paititi)

Expedição da Investigação Paititi para encontrar a cidade inca perdida

Desde o começo de 2017, a Investigação Paititi tem recompilado, analisado e avaliado uma quantidade considerável de materiais provenientes de sua investigação. A equipe encontrou alguns potenciais sítios e considerou seis deles como candidatos de Paititi. Em junho de 2019, organizaram uma expedição terrestre para obter nova informação, aperfeiçoar o modelo de investigação digital de Paititi e examinar suas possibilidades e equipamento. A expedição começou em Cusco, Peru. De Cusco, a equipe da expedição viajou a Choquecancha e finalmente ao Rio Yavero. Al longo da viagem, a equipe se enfrentou as lesões, vida selvagem e o ambiente hostil dos Andes.

A rota da expedição (esquerda) e quatro dos membros da expedição (direita). (Equipe de Investigação de Paititi)

Em Choquecancha, se encontra terraços incas inexplorados que se mostram anteriormente neste artigo, o que demonstra que ainda faltam muitos sítios incas por encontrar.

Como resultado dessa expedição, a Investigação Paititi selecionou a um dos seis candidatos Paititi, no que agora estão concentrando todos os esforços. Para consolidar os resultados de sua investigação, a equipe de investigação de Paititi está trabalhando em um artigo para uma revista revisada por pares. Ao mesmo tempo, estão estabelecendo relações com universidades peruanos para obter apoio para a expedição final, que confirmará ou refutará suas contatações.

Descobrir Paititi seria uma contribuição à investigação do patrimônio cultural e protegeria o sítio de saques ou outros perigos. Para obter mais informação e seguimos em nossa próxima expedição, visite nosso site em https://paititi.info/.

Fonte: ANCIENT ORIGINS ES

Publicado por Rafael Barros

Sou analista de sistemas apaixonado pelos estudos da teoria dos antigos astronautas e pesquisador da Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Psiquicas- AMPUP - MT

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