A construção da Grande Pirâmide

Autor: Jonathon A. Perrin                Traduzido por: Rafael Barros

Quem construiu a Grande Pirâmide? Foi construído por simples agricultores egípcios com rampas de barro, extraterrestres, ou uma sociedade perdida da última Idade do Gelo. Herdaram os antigos egípcios esse enorme edifício de pedra de um tempo perdido e logo construíram suas próprias versões menos e cruas em tentativas vãs de replicar sua assombrosa precisão. Esse debate continua. Este artigo tente uma prova moderada e razoável da evidência.

Quando os gregos chegaram pela primeira vez ao Egito, lhes disseram que a Grande Pirâmide era a tumba do faraó Quéops, e que já teria milênios. Apesar de muitas teorias novas, os arqueólogos somente têm confirmado esse informe inicial. Confirmaram que as pirâmides serviram como estruturas mortuárias para os faraós egípcios falecidos do Antigo Reino do Egito (2686-2181 a.C.), e que a mais grandiosa das pirâmides, a “Grande” foi em realidade o resultado de um processo de séculos de prova e erros, inovação e ambição, tudo dentro de um marco mitológico rico e em evolução.

A Grande Pirâmide de Quéops. (Nina Aldin Thune / CC BY 2.5)

O autor de Ancient Origins Espanhol, Ashley Cowie, descreve melhor isso em seu artigo “Desmitificando as pirâmides do Egito com fatos concretos”, assinala que a Grande Pirâmide não foi uma criação fantástica de uma época perdida, sendo que encaixa complemente no contexto do Antigo Reino. “A pratica faz o mestre” diz sobre as pirâmides, e assinala as “dezenas de pirâmides “falidas” que pontilham os desertos egípcios”. Voltemos agora ao começo da história egípcia e seguimos as pirâmides desde seu nascimento. Exploraremos sua verdadeira história de origem e voltemos através dos séculos, de monte a montanha.

Os mitos por trás dos montículos

Um poema do ano 2100ª.C., fala das pirâmides como tumbas para os falecidos faraós. Chamado “a Canção do Arpa” devido a representação de um arpa cego o cantando, o poema diz:

Os deuses (ou seja, os faraós mortos) que antes descansavam em suas tumbas, os nobres agraciados estão enterrados em suas tumbas”.

A palavra usada para “tumbas” é mr, também se traduz como “pirâmides”, e foi escrita usando um hieróglifo piramidal.

Crê-se que as origens da Grande Pirâmide se encontram na complexa mitologia do antigo Egito. De fato, toda a evolução das pirâmides, desde os montículos até as montanhas, se pode entender dentro de um contexto mitológico. Eram lugares de ascensão espiritual e transformação de um deus-rei.

Na conhecida história da criação de Heliópolis, Cidade do Sol, lemos que o mundo primitivo dos egípcios estava completamente coberto pelo abismo da água sem vida de Nun, da qual emergiu a primeira terra seca. Foi sore esse primeiro montículo o benzeno, que o Deus Atom foi “autocriado”. Na Exposição 600 dos textos das Pirâmides, lemos: “para dizer: Oh Atom-Khepri, quando subiste como uma colina e brilhaste sobre o Bennu do Benben, no templo do Fenix em Heliópolis, e esculpiste como Shu, e esculpiste como Tefnut, logo os rodeaste com seus braços, como os braços de ka, para que tu Ka poderia estar com eles”.

Durante a Segunda Dinastia jovem (2880 a.C.), encontramos evidencia de que o montículo piramidal é um símbolo de ressurreição. Uma inscrição numa estatua de Hetepdief, um falso sacerdote, representa dois montes primitivos coroados por dois discos solares, coroados eles próprios por aves da ressurreição.

Na esquerda, uma estátua de Hetepdief, um falso sacerdote da Segunda Dinastia (JE 34557 (CG 1) Museu de Antiguidades do Cairo) com inscrições de dois montes piramidais primitivos diferentes coroados por discos voadores e pássaros espirituais (Estátuas e estatuetas de reis e particulares no Museu do Cairo, Nr.1-1294, por Borchardt, Ludwig, 1863-1938; Egito. Maslahat at-Athar; Volten, Aksel, Berlim, 1911) (Archive.org). Direita, primeiro plano dos dois montículos, discos solares e pássaros inscritos na estátua.

Como assinala o egiptólogo e especialista em pirâmides Mark Lehner em seu definitivo Giza e as pirâmides (2017): “através dessa conexão como o montículo primogênito, a pirâmide é, portanto, um local de criação e nascimento no Abismo. O verbo weben se usa as vezes para o sol, como em “amanhecer” e “brilhar”, proporcionando assim um vínculo entre a promoção do montículo primitivo e o disco solar”. (Pl36).

A pirâmide representava os raios do Sol, que se descrevem nos Textos das Pirâmides como uma rampa sobre a que o rei sobe ao céu. Podemos rastrear a estreita relação entre o crescente domínio do culto ao sol de Heliópolis pela IV Dinastia e o desenvolvimento de lados retos nas pirâmides. Como assinala Lehner: “a pirâmide representa um paradoxo. Por um lado, é o montículo primitivo, uma imagem que transmite toda a criação material; por outro lado, é luz imaterial. Esse contraponto é ainda mais profundo se considerarmos a pirâmide como uma capsula gigantesca da Duat, obscuro submundo egípcio”. (P137).

Explora essas muitas dicotomias, estranhas para nossos sentidos modernos, mas amadas pelos egípcios. Por exemplo, as câmaras na forma de caverna das pirâmides simbolizavam a escuridão da terra, na que o corpo do rei foi plantado como uma semente, para finalmente renascer como um espirito de luz. Além disso, a tumba era o útero metafórico da deusa do céu Nut, através do qual daria à luz ao rei. A palavra egípcia para sarcófago era neb-ankh ou “Senhor da vida”, o que reforça a ideia do renascimento esperado dentro do monumento de pedra. Lehner explica as complexas ideias presentes nesses edifícios: “o paradoxo da transição da escuridão na luz e a morte na vida se expressou em pedra… nas enormes pirâmides do Antigo Reino”. (P139). Onde estavam então os primeiros “montículos” da ressurreição no antigo Egito? Surpreendentemente, a centenas de quilômetros da Grande Pirâmide.

Os primeiros montículos: Egito antes da unificação

Durante três milênios, os egípcios acreditavam que colocar os corpos de seus mortos abaixo de um tumulo os dava aos mortos a semente de uma vida renovada. Assim como os primeiros montes da terra que emergiram da inundação anual do Nilo brotavam novas plantas, um egípcio creia que o montículo primitivo representava a fertilidade da qual crescia toda a criação. Plantada no montículo da terra de sua tumba, a múmia do rei, como novas mudas depois da retirada da inundação, voltaria a viver”. – Mark Lehner, Giza e as pirâmides, 2017; págs. 64.

Funeral escavado de uma cidade perdida perto de Abydos que data dos próximos 7.000 anos. (Ministério da Antiguidade do Egito)

Para encontrar os montículos egípcios originais, devemos viajar par o sul da Grande Pirâmide. Em 2016, segundo o esclarecimento de Alicia McDermott no Ancient Origins Espanhol, os arqueólogos que trabalhavam perto do antigo sitio de Abydos descobriram as ruinas de um assentamento, incluído um cemitério de quinze estruturas de tumbas retangulares que provavelmente estavam coberto por túmulos funerários ou estruturas de barro.

No entanto, foi a data média de carbono do sitio o que surpreendeu a equipe: 5316 a.C. isso significa que os primeiros túmulos funerários egípcios tinha pelo menos 7.000 anos de idade, milênios mais antigos do que se pensava anteriormente, e que a evolução da pirâmide começou mais de 2.700 anos ant4es da Grande Pirâmide.

Muito antes de que o Alto e o Baixo Egito se unissem ao redor do ano 3.100 a.C., reis separados os governavam durante séculos, construíram tumbas como tumbas e as levavam com abundantes bens. No sitio de Nekhen, conhecido pelos gregos como Hierakonpolis, se tem descoberto um assentamento que data do período de Naqala (4400-3000 a.C.). Durante esse tempo vemos o desenvolvimento de muitas das tradições funerárias egípcias posteriores, incluídos múltiplos compartilhamento para enxoval funerário, paredes de barro, pinturas coloridas (como T100, a tumba pintada mais antiga do Egito), revestimento de madeira do fosso e, o que é mais importante para nós, um tumulo sobre o fosso.

A arqueóloga Bárbara Adams tem escavado em Hierakonpolis desde 1997, centrando-se no cemitério da elite chamado HK6 que foi identificado previamente por Michael Hoffman em 1979. Aqui descobriu uma enorme tumba, chamada T23, que foi a primeira em exibir arquitetura funerária acima do solo. Isso incluía tanto um muro de vedação como uma superestrutura com pilares sobre a tumba, todos feitos com postes de madeira. Sua equipe descobriu rastros de gesso pintado de vermelho e verde, e a datação por carbono colocou a estrutura em 3790-3640 a.C.

Vemos em Nekhen uma abordagem cada vez maior na santidade do monte sagrado, já que como Mark Lehner explica no meio do recinto do templo local, os egípcios levantaram um montículo circular de areia limpa, de 164 m (538 pés) de largura, revestido com blocos de pedra calcaria. Esse montículo concedia antiguidade e também era uma parte chave do culto ao deus falcão Hórus, identificado como o governante. Se construiu uma estrutura de ladrilhos de barro na parte superior do montículo, e foi sob essa estrutura que James Quibell encontrou em 1897 um charmoso falcão de ferro de chapa de cobre, com cabeça e penachos de placas de ouro.

Lehner sugere que esse antigo montículo se associou desde uma época precoce com Hórus e o rei. Os textos das pirâmides posteriores se referem aos “Montículos de Hórus”, e “se lhe diz a alma do rei morto que venha a esses montículos, os ocupe os rodeie e os governe” (p. 64). Como dizem os Textos das pirâmides: “Levanta-te, ó Rei, para que possas ver os montículos de Hórus e suas tumbas”.

Imagem do deus falcão Hórus, formada em placa de cobre com cabeça e plumas de folha de ouro; descoberto sobre o montículo sagrado em Nekhen (Hierakonpolis), ajudou a conectar o montículo com Hórus e o rei (Cairo, Museu Egípcio, JE32158). (GoShow / CC BY-SA 3.0)

Enquanto isso, a tumba do Escorpião I (Tumba “Uj”) foi escavada pelo egiptólogo Günter Dreyer em 1988. Escorpião I era um rei do Alto Egito que morreu em 3320 a.C., com ladrilhos de barro com múltiplas habitações cheias de bens funerários ricos como o marfim. Havia estado coberto com troncos de cedro e provavelmente um grande tumulo. Com o tempo, esses montículos de areia sobre os fossos funerários se cobriam eles mesmos com superestrutura de ladrilhos de barros chamadas mastabas, que levam o nome da palavra árabe para “banco de barro”.

Esquema de uma mastaba que mostra os principais componentes: 1) câmara funerária subterrânea, 2) câmara separada para a estátua ka do morto e 3) uma capela com uma porta falsa para que o espirito do morto entre e saia. Tirado do Nacional Musset (Desenho da mastaba de Ptahwash de: A porta da alma de Vesiren Ptah-wash e seu triste destino / por Ein Rand Nielsen. Em: Área de trabalho do Museu Nacional; 1993 – Kbh.: Museu Nacional: Editor Poul Kristensen, 1993, págs. 30-43). (Domínio público)

Se tratava de estruturas retangulares de barro, de paredes planas e lados empinados, construídos sobre os túmulos. Os egípcios os chamavam per-djet, ou “Casa da Eternidade”, e apareceram pela primeira vez durante esses anos em Abydos e Saqqara, outro cemitério precoce. Os poços de enterro se cavavam progressivamente mais profundo com cada faraó sucessivo, até 6 metros (20 pés) no caso do Faraó Den.

No princípio, as mastabas copiaram os planos das casas de dia, com várias habitações para o armazenamento das oferendas mais a câmara funerária. Na segunda e terceira dinastias, as mastabas continham escadarias até o fosso do enterro, assim como pátios em constante expansão e câmaras cada vez mais complexas.

O cemitério real de Abydos, Umm El Qa’ab (Mãe dos tachos) onde encontraram-se as tumbas dos faraós das dinastias 1-2 (Markh / Domínio público)
História de dois cemitérios: Abydos e Saqqara

O período de tempo no entorno do ano 3100 a.C. segue sendo confuso na história do Egito, pois foi durante esse tempo que as terras do Alto (sul) e Baixo (norte) Egito foram unificadas pelo faraó Narmer. Durante esse tempo, os arqueólogos reconhecem tumbas e estruturas reais não somente em Abydos (capital do Alto Egito), mas em Saqqara, um sitio muito ao norte, perto da Grande Pirâmide, próxima da capital do baixo Egito, Menfis.

Durante a Primeira Dinastia (3100-2900 a.C.), vemos avanços importantes nas estruturas mortuárias reais. Em Abydos, encontrados o cemitério Umm El Qa’ab (“Mãe dos tachos”), o primeiro cemitério real do Egito. O primeiro faraó do Egito, Narmer, foi enterrado aqui, era uma simples tumba de duas câmaras. Esse poço se cobriu com troncos de cedros e logo cobriu com um amontoado de areia que se havia enterrado em uma pele de barro (para evitar a erosão), criando um tumulo funerário.

Mapa de satélite do cemitério de Abydos, Umm El Qa’ab, com o plano das tumbas reais sobrepostas em negrito. (PLstrom / CC0)

As tumbas reais de Abydos foram escavadas por Flinders Petrie em 1900-1901. Descobriu muitos antecedentes da Grande Pirâmide, como a entrada da primeira escadaria, o piso de granito e os ajustadores de pedra. O que não pude encontrar foi muita evidencia das superestruturas das tumbas. Essas tumbas do poço haviam tido revestimentos de ladrilhos de barro e madeira e tapetes de sucatas que as cobriam, mas o que cobria isso.

Desenho de uma seção transversal através da câmara funerária do faraó Djet (Tumba Z), realizado por Flinders Petrie, que mostra os restos de um murro de contenção de barro que alguma vez havia fechado um tumulo funerário de areia e pedregulho. (Petrie, WMF The Royal Tombas of the First Dynasty, 1900-1901, Partes I e II, Cambridge University Press, 2014, publicado originalmente em 1901). (Archive.org)

Na tumba do faraó Djet, Petrie descobriu o suficiente de uma parede de barro ao redor do enterro como para assumir que uma vez esteve coberta por um tumulo de areia e cascalho. A egiptóloga Eva-Maria Engel menciona um “segundo” tumulo descoberto nas tumbas de Aha (B15), ‘Serpente’ (O), Den (T), e Qa’a (Q), que “não era visível depois da final das obras de construção para que pareça plausível uma razão religiosa para sua construção”.

Tumba restaurada do Faraó Den, sem o tumulo funerário original. (E M. / CC BY 2.0)

Esse segundo “tumulo oculto’ se observou nas estruturas funerárias da Primeira Dinastia em Saqqara. Esses tomaram a forma de mastabas de barro bem conservadas. Por exemplo, Saqqara mastaba S3507 foi escavada por Walter Emery na década de 1950.

Pertencente à rainha Herneith ao rei Djer, tinha uma fachada construído para se parecer a um palácio colorido. Também continha um montículo “oculto” similar enterrado dentro da superestrutura de barro. Esse montículo resultou ser um tumulo de areia cascalho fechado em uma carapaça de ladrilho de barro, e havia estado completamente oculto quando terminou-se a construção. Como assinalou o egiptólogo Barry Kemp em 1966: “esse tumulo havia adquirido com o tempo um importante significado mágico ou religioso”.

Desenho em seção transversal da mastaba 3507 da rainha Herneith em Saqqara, incluído o montículo oculto; por Walter Emery, 1956 (Emery B., Excavations at Saqqara: Great Tombs of the First Dynasty Vol III, Egypt Exploration Society, Londres, 1958) (Archive.org)

Talvez o mais incomum dos “montículos ocultos“ da Primeira Dinastia em Saqqara foi a Mastaba S3038 do Rei Anedjib. No lugar de um tumulo empinado e de cima plana sobre o funeral, tinha uma plataforma escalonada única, e muitos egiptólogos creem que foi a inspiração por trás da pirâmide escalonada posterior.

Na esquerda, desenho da primeira versão da Mastaba S3038 em Saqqara, construída sob o governo do faraó Anedjib ou Nebetka, que mostra uma estrutura de mastaba escalonada distintiva e sem precedentes. Direita, desenho da segunda etapa da Mastaba S3038 em Saqqara, construído sobre a estrutura escalonada anterior, que se manteve intacta dentro da estrutura posterior. Provavelmente representava o mágico montículo primitivo da ressurreição, mas na forma escalonada. (Ambas figuras de Emery, Walter B., Archaic Egypt, Penguin Books, Grã-Bretanha, 1961 / (Archive.org)

A característica de “cúpula dupla” das tumbas egípcias se tem confirmado em Giza durante a Quarta Dinastia, no Cemitério dos Trabalhadores. Ali, as tumbas aparecem como modelos em miniaturas de pirâmides maiores. Como diz Zahi Hawass:

Denominamos uma tumba notável como a tumba da “cúpula do ovo”. Uma cúpula exterior, formada por ladrilhos de barro revestidos com tafia, fechava um cofre suspenso na forma de ovo construída sobre um fosso de sepultamento retangular. Qual foi o significado da cúpula dupla? Os egiptólogos creem que os montículos que ficavam dentro das grandes tumbas da Dinastia I (ca. 2920-2770 a.c.) e as saliências de rocha nas pirâmides representaram um montículo primitivo da criação que magicamente assegurou a ressurreição. A mesma ideia pode ter estado na mente daqueles que construíram essa tumba”.

Os monumentos de ladrilhos de barro se tornam maciços

Enquanto isso, a Segunda Dinastia veio o advento de muitos precedent4es inovadores de pirâmides e sentou-se as bases para sua fusão as Dinastias Três e Quatro. O enorme recinto funerário de ladrilhos de barro do monarca da Segunda Dinastia Khasekhemwy, chamado Shunet El-Zebib ou “Casa das passas”, mede 137m (450 pés) de largura, 77m (253 pés) de comprimento e mede 12m (40 pés) de altura, e dá uma ideia de como haviam sido os primeiros recintos reais.

Parede com nichos de ladrilhos de barro no recinto funerário Shunet El-Zebib de Khasekhemwy, em Abydos. (isawynu / CC BY 2.0)

Provavelmente usou-se para rituais funerários do rei, e possivelmente foi o pai de templos mortuários posteriores, construídos próximo das pirâmides. Tem muros de recinto com nidificação, tipos dos posteriores murros de pedra, que haviam sido pintados de cores vivas.

O egiptólogo David O’Connor tem escavado em Abydos, trabalhando no recinto de Khasekhemwy. Ali descobriu o que ele crê que alguma vez foi “um grande montículo feita de areia e cascalho; estava coberto com uma pele de ladrilho, dois quais o ladrilho (recuperado) é a peça mais baixa e única que sobrou”. (Expedição 1991).

Esses ladrilhos estão inclinados para cima e poderiam ter formado a base para as capas inclinadas de acreção da construção piramidal já que seus ângulos são similares (10-15º). Ele crê que esse montículo foi o protótipo da Pirâmide, já que se colocou em uma posição quase idêntica em relação com a parede do recinto da pirâmide escalonado posterior.

Embora raramente se discute em relação com o desenvolvimento das pirâmides, Khasekhemwy, foi chave para muitas de suas características posteriores. Ajudou a reunificar o pais depois de um período de separação e, para além de seu Shunet El-Zebib, construiu uma única tumba perto de Abydos, a última tumba real que se construiu ali. Tem cinquenta e oito habitações, e sua câmara funerária central pode ser a estrutura de alvenaria mais antiga do mundo, já que está construída com blocos de pedra calcaria extraídos.

Ladrilhos de pedra calcaria se alinham no interior da câmara funerária de Khasekhemwy dentro de sua tumba em Abydos, a última tumba real que se escavou na necrópole. (Ioannis Liritzis / Researchgate)

Günter Dreyer, do Instituto Arqueólogo Alemão do Cairo, sugeriu que a câmara funerária central sustentava um túmulo, á que as paredes estavam compactadas o dobro de espessura e a metade de altura. Esse é possivelmente o primeiro enterro de pedra e tumulo de cemitério de pedra do Egito.

Uma tomada final da Segunda Dinastia e sua estrutura de marca registrada, Shunet El-Zebib de Khasekhemwy. Abydos nunca voltaria a dominar como epicentro funerário dos faraós, apesar de que alguns construiriam templos ali, incluindo Seti I. Além disso, a organização da mão de obra desenvolvida para essas estruturas ajudaria enormemente o próximo arquiteto, Imhotep, na hora de construir a pirâmide escalonada. (Soutekh67, CC BY-SA 4.0)

Assim, no final da Segunda Dinastia, vemos todas as características essenciais do tumulo egípcio: um montículo de poder rejuvenescedor sobre a tumba, um montículo funerário, um edifício sobre o solo que imita um palácio real e um recinto funerário para proteger o montículo funerário. A pedra talhada, como a pedra calcaria e o granito, também se estava voltando popular já que prometia proteção mágica, segurança na forma de rastilhos e longevidade mais além dos ladrilhos de barro.

No entanto, se necessitaria um gênio para finalmente combinar essas características, um arquiteto revolucionário que pudesse juntar montículos com anexos e que pudesse transformar edifício de barro em pedra. Hoje é bem conhecido por seu nome imortal Imhotep. Revisaremos suas realizações quando continuemos nossa viajem para a Grande Pirâmide no seguimento deste artigo finalizado.

Imagem da Primeira página: A Grande Esfinge e as Pirâmides de Gizé (Giza), 17 de julho de 1839, por David Roberts; Pintura do século XIX da Esfinge de Giza, parcialmente sob a areia, com duas pirâmides ao fundo. Fonte: David Roberts / Domínio Publico

Fonte: Ancient Origins ES

Publicado por Ufologia & Cosmos

Sou analista de sistemas apaixonado pelos estudos da teoria dos antigos astronautas.

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