Autor: Jeff O’Connor Tradução de: Rafael Barros
O natural e o paranormal parecem coexistir há muito tempo no Parque Nacional das Great Smoky Mountains, localizado na fronteira entre a Carolina do Norte e o Tennessee, na região dos Apalaches. As florestas antigas e os picos enevoados desta enorme área selvagem inspiraram inúmeras histórias de atividades fantasmagóricas, transmitidas através de gerações de guardas florestais, visitantes e residentes. Os céticos continuam a oferecer explicações lógicas para esses fenômenos, mas a popularidade duradoura das histórias paranormais confere ainda mais mistério a este cenário já cativante.

Descrição
O parque, que cobre mais de 522.000 acres (mais de 211.245,90 hectares), é um ponto importante para a biodiversidade, com florestas densas, riachos caudalosos e picos com mais de 6.000 pés de altura. Processos naturais produzem uma névoa azulada-acinzentada característica que frequentemente envolve a área, conferindo ao ambiente uma qualidade etérea. As nações Cherokee habitavam esta área antes de sua designação como parque nacional em 1934. Mais tarde, colonos europeus construíram assentamentos por toda a região montanhosa (Linzey, 2008).
A história de ocupação humana do parque influenciou sua reputação de atividade paranormal. Uma das histórias de fantasmas mais conhecidas se passa na trilha Norton Creek, onde os caminhantes afirmam ter encontrado o espírito de uma menina que teria morrido ali no século XIX. Os visitantes relatam ter visto uma menina com trajes históricos, que desaparece quando se aproximam, e ouvido risadas infantis. Acredita-se também que a trilha Roaring Fork Motor Nature Trail seja assombrada pela Dama Branca de Roaring Fork, o fantasma de uma mulher que morreu nas montanhas durante um inverno rigoroso no início do século XX (Wise, 2014).
Relatos de atividades fantasmagóricas são especialmente comuns entre as cidades abandonadas e cemitérios do parque. Elkmont, que já foi um movimentado assentamento madeireiro, transformou-se em uma cidade fantasma dentro do parque. Os visitantes das estruturas remanescentes têm relatado terem visto luzes estranhas, ouvido ruídos inexplicáveis e sentido como se alguém os estivesse observando. Muitos relatam ter visto orbes e figuras enigmáticas entre as sepulturas do cemitério Elkmont, nas proximidades, que possui lápides desgastadas do século XIX, após o anoitecer (Horjus, 2017).
Os cemitérios indígenas americanos dentro dos limites do parque também geraram inúmeros relatos paranormais. Os visitantes desses locais relatam ter experimentado sensações incomuns, ondas inexplicáveis de frio e uma forte sensação de rejeição. Alguns atribuem essas ocorrências aos fantasmas dos antigos Cherokee, que mantêm uma conexão com seus terrenos sagrados.

Pé Grande no Parque
O Parque Nacional das Great Smoky Mountains é um local proeminente devido aos relatos de avistamentos do Pé Grande ao longo de décadas. O parque é um habitat perfeito com potencial perfeito para uma espécie de primata não identificada, devido à sua extensa área selvagem, densa cobertura florestal e localização isolada. O folclore local Cherokee menciona uma criatura conhecida como Kecleh-Kudleh, ou “selvagem peludo”. Alguns especialistas associam essa criatura à mitologia contemporânea do Pé Grande. Essas lendas, que antecederam a colonização europeia, falam de uma criatura grande e forte que vivia nas montanhas.
A maioria dos avistamentos ocorrem em locais mais isolados, como o Vale Cataloochee e a área de Deep Creek, e os visitantes do parque geralmente relatam avistar uma criatura alta e bípede com pelos castanhos escuros ou pretos. Pegadas grandes, vocalizações estranhas e um cheiro forte e almiscarado são relatos comuns das testemunhas. Os campistas que passam a noite no local têm algumas das histórias mais intrigantes, incluindo criaturas misteriosas vagando pelos acampamentos após o anoitecer e barulhos de batidas na madeira.
Embora vários ex-guardas florestais tenham revelado suas próprias experiências únicas, os guardas florestais mantiveram oficialmente sua imparcialidade sobre o assunto. Um grupo de mochileiros no Monte Le Conte relataram que viram uma figura grande e coberta de pelos por vários minutos antes que ela desaparecesse na floresta em 1983. Este é um dos vários casos documentados envolvendo várias testemunhas.
Os críticos apontam que um grande número de avistamentos pode ser devido à população de ursos negros do parque, especialmente quando os ursos estão em pé sobre as patas traseiras. Além disso, eles destacam que é impossível realizar observações precisas devido ao terreno acidentado e à floresta densa, e que a pareidolia, a tendência de reconhecer padrões familiares, como figuras humanas, em estímulos aparentemente aleatórios, provavelmente explica muitos encontros (Garshelis & Pelton, 1981).
UFOs no Parque
Relatos de avistamentos de OVNIs nas Great Smoky Mountains remontam a meados do século XX. Embora isso muitas vezes resulte na identificação equivocada de fenômenos naturais, as altas altitudes, o céu escuro e as áreas isoladas do parque proporcionam excelentes oportunidades para a observação de fenômenos astronômicos. Vários visitantes afirmaram terem visto luzes estranhas se movendo em formação sobre Clingmans Dome, o ponto mais alto do parque, no final da década de 1970, provocando uma das ondas mais notáveis de avistamentos de OVNIs. Relatos de objetos em forma de disco e fenômenos aéreos misteriosos eram comuns, especialmente ao amanhecer e ao anoitecer, de acordo com os guardas do parque.
A extremidade sul do parque, perto do Lago Fontana, também tem registrado uma concentração de atividades OVNI. Alguns pesquisadores especularam sobre a possibilidade de bases subaquáticas depois que testemunhas relatarem terem visto objetos brilhantes mergulhando e emergindo das águas do lago; no entanto, essas afirmações ainda são estritamente especulativas. Um caso digno de nota ocorreu em 1995, quando um grupo de campistas em Elkmont afirmaram terem visto uma nave triangular silenciosa pairando acima da linha da floresta por alguns minutos antes de acelerar a uma velocidade incompreensível. Desde então, surgiram inúmeros relatos de objetos semelhantes em forma de triângulo, principalmente na parte oeste do parque.
Pesquisadores céticos atribuem a maioria dos avistamentos a balões meteorológicos, fenômenos astronômicos ou aeronaves convencionais confundidas. A proximidade do parque a vários locais militares pode explicar vários avistamentos, já que aeronaves militares costumam realizar exercícios de treinamento na área. A altitude do parque também facilita a observação de satélites e outros objetos orbitais, e as condições atmosféricas nas montanhas podem produzir efeitos de luz intrigantes. Relatos de fenômenos climáticos regulares no parque, como raios em bola e luzes de terremoto, podem ajudar a explicar alguns dos relatos. As conhecidas “luzes fantasmas” das Smokies, frequentemente descritas como OVNIs, podem ser o resultado dessas ocorrências naturais (Speer, 2017).
Conclusão
Os céticos fornecem justificativas lógicas para essas ocorrências. As condições climáticas peculiares do parque e a neblina frequente podem produzir ilusões visuais. Edifícios antigos criam sons semelhantes aos sobrenaturais, enquanto a densa copa das árvores manipula a luz e a sombra. A atividade da vida selvagem pode explicar muitos sons e movimentos enigmáticos, especialmente ao amanhecer e ao entardecer. Além disso, o poder da sugestão e a tendência humana de encontrar padrões em eventos aparentemente aleatórios podem explicar muitas experiências paranormais relatadas.
Pesquisadores contemporâneos do paranormal realizaram inúmeras investigações no parque, utilizando uma variedade de ferramentas técnicas para registrar ocorrências estranhas. Os críticos afirmam que causas ambientais naturais e as limitações da tecnologia empregada podem explicar as descobertas, mesmo que outros afirmem ter registrado fenômenos de voz eletrônica (EVP) e leituras anormais em seus instrumentos.
O esplendor natural e a reputação etérea do Parque Nacional das Great Smoky Mountains continuam a encantar os visitantes. Essas histórias de fantasmas e incidentes inexplicáveis tornaram-se parte essencial do patrimônio cultural do parque, acrescentando mais uma camada ao seu rico passado, independentemente da crença de cada um no paranormal. Os visitantes devem determinar por si mesmos se as experiências enigmáticas que vivenciam são resultado de processos naturais ou algo além da nossa compreensão, já que as montanhas envoltas em névoa parecem destinadas a manter seus segredos.
Referências
Garshelis, D. L., & Pelton, M. R. (1981). Movements of black bears in the Great Smoky Mountains national park. The Journal of Wildlife Management, 912-925.
Horjus, M. (2017). Haunted Hikes: Real Life Stories of Paranormal Activity in the Woods. Rowman & Littlefield.
Linzey, D. W. (2008). A natural history guide to Great Smoky Mountains national park. Univ. of Tennessee Press.
Speer, W. E. (2017). The Brown Mountain Lights: History, Science and Human Nature Explain an Appalachian Mystery (Vol. 40). McFarland.
Wise, K. (2014). Hiking Trails of the Great Smoky Mountains: Comprehensive Guide. Univ. of Tennessee Press.
Fonte: Connect Paranormal





Deixe um comentário aqui