Autor: Jeff O’Connor Tradução: Rafael Barros
Chichén Itzá, uma antiga cidade maia na Península de Yucatán, no México, é um exemplo da sofisticação e engenhosidade da cultura maia. Essa cidade, que prosperou no período clássico tardio (600-900 d.C.) e continuou a ser um importante centro mesmo após o colapso da civilização maia, é conhecida por suas magníficas construções, que incluem a Pirâmide de Kukulkan, o Templo dos Guerreiros e o Cenote Sagrado. Teorias emergentes sugerem que Chichén Itzá pode ter servido como uma estação de pesquisa agrícola, além de suas narrativas clássicas que a colocam como um centro religioso, político ou econômico. Este artigo examina as fortes evidências para apoiar essa teoria, destacando as sofisticadas técnicas agrícolas e a consciência ambiental dos maias pré-históricos.

Origens
De acordo com a lenda local, Quetzalcoatl, o deus conhecido como Serpente Emplumada, foi quem fundou Chichén Itzá. Ele era um herói cultural que ensinava o povo. Algumas pessoas acreditam que, por volta do século X, os toltecas, uma cultura do centro do México, tiveram uma influência significativa na cidade ou possivelmente a conquistaram. Acredita-se que, em vez de ser um centro urbano densamente povoado, Chichén Itzá era principalmente um local para eventos religiosos e peregrinações, em homenagem a várias divindades.
Outra visão amplamente aceita sustenta que várias culturas mesoamericanas, em vez de uma única cultura ou era, construíram e desenvolveram Chichén Itzá ao longo de muitos anos.
A Atlântida e criaturas extraterrestres são outras hipóteses menos convencionais, mas poucas pessoas realmente acreditam nelas.
A função de Chichén Itzá ainda é motivo de disputa entre os pesquisadores. Segundo alguns, era um centro político ou econômico, enquanto, segundo outros, era um centro religioso. Por outro lado, um conjunto crescente de evidências sugere que Chichén Itzá pode ter servido como uma estação de pesquisa agrícola.

Agricultura
A localização geográfica e arquitetônica de Chichén Itzá reforça a ideia de que se tratava de um centro de pesquisa agrícola. Os maias tiveram que criar maneiras criativas de gerenciar e aproveitar os recursos hídricos para sobreviver, pois viviam em uma área composta principalmente por um planalto de calcário com pouca água superficial. Os cenotes, ou buracos naturais espalhados por toda Chichén Itzá, forneciam um abastecimento constante de água. Esses recursos teriam sido essenciais para manter quaisquer experimentos agrícolas em andamento.
O fato de Chichén Itzá estar localizada em uma área perfeita para a agricultura reforça a ideia de que se tratava de uma estação de pesquisa agrícola. A Península de Yucatán, de clima tropical, tem uma longa estação de cultivo. O calcário contribui para o alto teor de nitrogênio do solo.
A existência de várias características agrícolas em Chichén Itzá serve como uma evidência para essa teoria. Essas características incluem vários campos elevados, bem como uma rede de canais e reservatórios. Os campos elevados teriam proporcionado aos agricultores um local para cultivar, e os canais e reservatórios teriam ajudado na coleta e armazenamento de água.
Inúmeros implementos agrícolas e artefatos achados em Chichén Itzá dão mais força à teoria da estação de pesquisa agrícola. Machados, pedras e enxadas são alguns desses itens. A existência dessas ferramentas mostra que o povo de Chichén Itzá se dedicava à agricultura.
O traçado arquitetônico de Chichén Itzá sugere o complexo calendário agrícola dos maias, demonstrando um profundo conhecimento dos movimentos solares e celestiais. Por exemplo, nos equinócios da primavera e do outono, El Castillo recebe uma sombra do sol que dá a impressão de uma serpente descendo a pirâmide. Esse evento pode ter ajudado os antigos maias a manterem um ciclo agrícola eficiente, indicando épocas importantes para o plantio e a colheita.
A variedade de espécies vegetais encontradas na Península de Yucatán reforça ainda mais essa noção. No local, os arqueólogos encontraram fragmentos de uma variedade de culturas, incluindo cacau, pimenta, feijão, abóbora e milho, indicando uma prática agrícola bem equilibrada. Os maias poderiam ter testado variações de culturas, aprimorado práticas agrícolas e criado tipos robustos para várias situações climáticas em Chichén Itzá, como se fosse uma estação de pesquisa agrícola.
Olhar para Chichén Itzá como uma estação de estudos agrícolas proporciona uma visão única sobre o modo de vida e a estrutura social dos antigos maias. Em primeiro lugar, destaca a sua profunda consciência e compreensão do ambiente que os cercava, o que lhes permitiu prosperar em circunstâncias climáticas e geográficas desfavoráveis. Ao realizar pesquisas agrícolas, eles puderam desenvolver métodos agrícolas sustentáveis, produtivos e ecológicos.
Em segundo lugar, esse argumento sugere que a civilização maia pode ter tido uma hierarquia e uma divisão de trabalho. Se Chichén Itzá era realmente um centro de pesquisa agrícola intensiva, isso exigiria uma sociedade altamente estruturada, com responsabilidades pela agricultura, pesquisa e, possivelmente, até mesmo pelo compartilhamento de informações. A capacidade dos maias de se adaptar com sucesso e manter sua resiliência diante das mudanças sociais e ambientais pode ter dependido dessa hierarquia.
Por fim, considerar Chichén Itzá como um centro de estudos agrícolas destaca a importância da agricultura na mitologia e na religião maia. A agricultura está intimamente associada a várias divindades maias, sugerindo que o cultivo não era apenas um modo de vida, mas também uma prática religiosa profundamente enraizada em sua cultura. Com seus elaborados sistemas de gestão da água e calendário agrícola, Chichén Itzá pode ter sido considerado um lugar sagrado onde os mundos humano e divino se uniam para garantir colheitas abundantes.
Embora ainda haja discordância sobre a veracidade da teoria da estação de pesquisa agrícola, há cada vez mais evidências que sugerem que Chichén Itzá pode ter desempenhado um papel significativo como centro de estudos agrícolas. A posição geográfica da cidade, suas características agrícolas e a existência de artefatos e ferramentas agrícolas sustentam essa opinião.
Conclusão
Além de seu papel na pesquisa agrícola, Chichén Itzá pode ter funcionado como um centro político, religioso e comercial. Os inúmeros templos e pirâmides da cidade servem como prova de que era um importante centro religioso. Uma quadra de bola indica que também era um centro de atletismo e jogos. Além disso, a localização da cidade ao longo de uma importante rota comercial sugere que era um importante centro comercial.
Embora a teoria de que Chichén Itzá tenha sido uma estação de pesquisa agrícola ainda seja apenas uma suposição, ela apresenta uma hipótese fascinante que contradiz as percepções comuns sobre essa antiga metrópole maia. De acordo com essa visão, a civilização era altamente desenvolvida e inovadora, com uma profunda consciência do seu entorno, e usava esse conhecimento para criar métodos agrícolas sustentáveis. Teorias como essa nos lembram da complexidade dos sítios históricos e da quantidade de informações que ainda são desconhecidas à medida que pesquisamos e compreendemos Chichén Itzá. Ainda podemos aprender com os métodos agrícolas e o conhecimento dos antigos maias, que conseguiam viver em paz com o meio ambiente, enquanto a sociedade contemporânea luta com questões ambientais.
Referencias
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Fonte: Connect Paranormal






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