Autor: Jeff O’Connor                                   Tradução: Rafael Barros

O respeito que os antigos Egípcios tinham pelos deuses era o alicerce fundamental que sustentava o seu complexo cosmos. Os antigos egípcios, que eram politeístas, reverenciavam um vasto conjunto de mais de 2.000 divindades, representando as várias forças da natureza e as complexidades dos acontecimentos que testemunhavam à sua volta. Preservar a harmonia universal era o objetivo central de sua religião. Eles acreditavam que, ao fazer oferendas, orações e cerimônias cuidadosas ao antigo Panteão Egípcio, poderiam apaziguar esses poderes celestiais e manter o equilíbrio necessário para a paz mundial.

O Faraó reverenciado como a manifestação terrena do divino e como governante mortal, era essencial para a realização desses rituais sagrados. Ele era visto como o intermediário, o canal que permitia que os desejos e favores dos deuses fluíssem. Responsável pelos templos onde os rituais dos deuses eram realizados, o faraó desempenhava um papel crucial na manutenção de Maat, ou ordem, que era a pedra angular da civilização egípcia.

Os deuses não eram vistos pelos egípcios como entidades distantes e abstratas, mas sim como componentes essenciais do universo natural. Cada divindade, incluindo o sol, as estrelas, a lua, o mundo inferior e o céu, tinha responsabilidades e territórios distintos. Este antigo Panteão Egípcio era composto por deuses menores ou demônios, alguns dos quais foram adotados de outras culturas ou foram deificados por faraós anteriores, bem como por grandes deuses que eram importantes para preservar o equilíbrio do universo.

Amon

Devido ao mistério que envolvia esses deuses, os egípcios os representavam com uma variedade de iconografias e símbolos que sugeriam sua relação com eventos naturais, mas que talvez não fossem suas formas reais. Inúmeras divindades eram retratadas em uma variedade de iconografias complexas, pois acreditava-se que elas podiam assumir múltiplas formas.

Além disso, vários deuses eram associados a locais específicos no Egito, onde seu culto era mais comum. Um exemplo digno de nota é a transformação do deus padroeiro de Tebas durante o Império Médio, de Montu para Amon. No entanto, como os deuses ligados a determinados locais nem sempre eram nativos dessas áreas, a afiliação regional nem sempre se correlacionava com a gênese.

Os egípcios também criaram hierarquias complexas entre seus deuses, chamando essas unidades familiares de tríades, que consistiam em uma divindade mãe, pai e filho, e que eram adoradas em uníssono, bem como separadamente. A Enéade de Heliópolis é um exemplo de uma assembleia divina mais abrangente. Ela reunia nove deuses importantes que eram cruciais para a criação, a vida após a morte e a confirmação do poder divino do faraó.

O “sincretismo”, a prática de combinar vários deuses para representar uma unidade espiritual subjacente, era outra característica fascinante da religião deles. Isso tornava possível reconhecer a existência de uma divindade dentro de outra, dando origem a divindades compostas como Amon-Rá, que mesclava as qualidades de Rá, o deus solar, com as de Amon, o deus oculto. Isso tornava o panteão egípcio antigo mais robusto.

O panteão era dinâmico; representava uma hierarquia que mudava ao longo do tempo, com alguns deuses ganhando destaque ou até mesmo autoridade absoluta em determinados momentos. Em diferentes momentos da antiguidade, deuses como Hórus, Ísis e Rá ocuparam essas posições elevadas. Amon tornou-se tão poderoso no Império Novo que, por um tempo, o sistema religioso ali se assemelhava ao monoteísmo, com Amon sendo adorado como o deus que tudo abrange. Mas essa era monoteísta foi breve, e Akhenaton e Nefertiti, seus líderes, acabaram sendo desprezados.

O Governo divino e o Faraó

Embora o faraó fosse visto como um ser humano imperfeito, também se acreditava que ele possuía autoridade divina. O faraó dialogava com o antigo Panteão Egípcio. Os egípcios consideravam seu faraó como um deus entre os humanos, encarregado da sagrada responsabilidade de proteger Maat, defendendo os deuses por meio de templos, rituais e supervisão religiosa. Mas, ao longo da história egípcia, a influência religiosa do faraó mudou. Por exemplo, o status religioso do faraó entrou em declínio durante o início do período do Império Novo.

Além disso, o faraó tinha laços estreitos com deuses em particular. O faraó era considerado o filho de Rá, governando a ordem natural da mesma forma que o rei governava a sociedade. Hórus, a personificação da realeza, era frequentemente associado a ele. O faraó era identificado com Amon no final do Império Novo. Após sua morte, ele foi elevado à divindade e integrado a Osíris, a divindade do renascimento e da morte, nos templos.

Portanto, os deuses do antigo Egito não eram apenas objetos de devoção; eles eram parte essencial da cultura, da política e da cosmologia egípcia. Em sua dupla função de monarca e enviado divino, o faraó era um elemento fundamental na manutenção dos costumes religiosos que visavam preservar tanto a estabilidade do universo quanto o bem-estar do reino que ele governava.

Leitura adicional

Shaw, I. (2003). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press.

A obra abrangente de Shaw foi selecionada por sua ampla cobertura da história egípcia, desde os tempos mais remotos até o fim do período faraônico e a era greco-romana. Ela oferece uma visão detalhada das evoluções socio-políticas e culturais que moldaram as práticas religiosas do antigo Egito, tornando-se um recurso valioso para compreender o contexto em que o panteão egípcio era venerado.

Wilkinson, R. H. (2003). The Complete Gods and Goddesses of Ancient Egypt. Thames & Hudson.

O livro de Wilkinson oferece uma exploração aprofundada das divindades do antigo Egito, detalhando seus papéis, relações e iconografia. Ele foi escolhido por suas descrições detalhadas e representações visuais dos deuses, que ajudam os leitores a visualizarem e compreender a natureza complexa das práticas religiosas egípcias, incluindo o conceito de governo divino.

Assmann, J. (2001). The Search for God in Ancient Egypt. Cornell University Press.

O trabalho acadêmico de Jan Assmann investiga as crenças religiosas e os argumentos teológicos do antigo Egito, oferecendo visões sobre a mentalidade por trás da adoração do vasto panteão. Este livro foi incluído por sua abordagem filosófica da religião egípcia, proporcionando uma compreensão mais profunda do sincretismo e das mudanças teológicas que ocorreram ao longo da história egípcia, incluindo durante o reinado de Akhenaton e a transição temporária para o monoteísmo.

Fonte: Connect Paranormal

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