Autor: Site Mystery Planet Tradução: Rafael Barros
Durante séculos, o deserto de Rub’ al-Khali — em árabe, literalmente “quadrante vazio” — foi considerado uma vasta e estéril extensão de areia entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. No entanto, uma nova investigação revelou um segredo milenar escondido sob suas dunas: uma civilização com 5.000 anos de idade.

A descoberta foi possível graças ao uso de radar de abertura sintética (SAR) e algoritmos avançados de aprendizagem automática aplicadas por cientistas do ENGEOS Lab da Universidade Khalifa de Abu Dhabi. Ao combinar dados de radar com imagens de satélite de alta resolução do satélite WorldView-3, os pesquisadores conseguiram identificar estruturas enterradas, restos de produção de metais e vestígios de assentamentos humanos.
Este avanço tecnológico permitiu estudar, sem escavações invasivas, o sítio arqueológico de Saruq Al-Hadid, uma zona arqueológica que já havia sido descoberta em 2002 após uma observação aérea do xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, governante de Dubai. Desde então, o local tem mostrado indícios de fundição de cobre e ferro, mas só agora se compreendeu sua verdadeira magnitude.
As imagens processadas por inteligência artificial revelaram estradas, redes de comunicação e depósitos de ossos de animais, juntamente com resíduos metalúrgicos, o que aponta para uma sociedade organizada e complexa que conseguiu prosperar em um ambiente considerado inóspito.

“Este caso demonstra como a combinação de tecnologias de radar e inteligência artificial pode revolucionar a arqueologia e apoiar os esforços de conservação do patrimônio cultural”, explicaram os autores do estudo, publicado numa revista científica especializada.
A descoberta foi confirmada por registros arqueológicos anteriores e verificações de campo, o que levou à aprovação oficial de novas escavações pela agência Dubai Culture. As áreas recém-identificadas permanecem quase intactas e podem oferecer mais pistas sobre a vida na Península Arábica há milênios.
Antigas lendas
Além de lançar luz sobre a civilização de Saruq Al-Hadid, a descoberta alimenta a lenda de Ubar, a mítica cidade conhecida como a “Atlântida das Areias”, que, segundo relatos antigos, foi engolida pelo deserto como castigo divino por sua arrogância. Até mesmo o famoso arqueólogo e militar britânico T.E. Lawrence (ou Lawrence da Arábia) mencionou Ubar como uma cidade de riquezas incalculáveis, perdida para sempre sob as areias do Rub’ al-Khali.

Embora se saiba ainda muito pouco sobre os habitantes dessa antiga civilização, a descoberta reconfigura a história da região. Entre 6.000 e 5.000 anos atrás, o clima era mais úmido, o que permitiu a formação de lagos rasos que sustentavam ecossistemas com flora, fauna e vida aquática. Essas condições puderam ter propiciado o surgimento e o desenvolvimento de sociedades avançadas no que hoje é um dos lugares mais áridos do planeta.
Graças a cada nova passagem do radar e à análise camada por camada do subsolo, a ciência demonstra que o “quadrante vazio” nunca esteve de fato vazio.

“Esta pesquisa pioneira não só estabelece um precedente no desenvolvimento das capacidades da arqueologia por meio da teledetecção em nível nacional e regional, mas, ao automatizar e aperfeiçoar os processos, podemos melhorar a precisão e minimizar os erros antes de ampliar a metodologia para áreas mais extensas”, concluiu a Dra. Diana Francis, diretora do laboratório ENGEOS da Universidade de Khalifa.
Fonte 01: Universidade Khalifa
Fonte02: DailyMail
Fonte03: Mystery Planet






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