Autor: Fran García                           Tradução: Rafael Barros

Existem indícios que demonstram que a história remonta a tempos muito mais antigos do que sempre se acreditou, numa época remota em que ainda não existiam seres humanos. Mas outros seres habitavam e reinavam na Terra. Uma época remota enterrada pela areia do tempo, mas da qual conservamos algumas lembranças…

Fotografia que corresponde a alguns deuses ídolos, datados do quarto milênio a.C. Mais de 300 “ídolos do Olho” e milhares de outras peças foram encontradas no Templo de Tell Brak, na Mesopotâmia.

Antes de desenvolver nosso tema, gostaria de alertar sobre algo que encontrei e que me pareceu importante divulgar: não é tão fácil encontrar toda a documentação aqui reunida. Nos livros didáticos comuns sobre o Egito e as civilizações antigas, normalmente vendidos em lojas e livrarias, não costumam constar os dados que apresentamos a seguir. Também não é fácil encontrar fotografias dos objetos e documentos de que falamos aqui. É necessário, portanto, aprofundar além do que é comumente estabelecido e recorrer a fontes menos ortodoxas e mais difíceis de obter. Mas, como o leitor poderá comprovar, aqui estão algumas das fotografias que revelam que esses objetos são reais, existem e se encontram em seus respectivos museus e locais originais, apesar de serem desprezados, não aparecerem ou “não existirem” nos livros oficiais.

Reuni meus livros de documentação e história sobre o Egito e as origens das civilizações, e não encontrei praticamente nada… nenhuma imagem, nenhuma referência aos documentos em que os antigos contavam oficialmente sua história e as origens de suas respectivas civilizações. No livro mais especializado sobre a Mesopotâmia, aparece uma pequena fotografia do Prisma de Weld e são comentadas superficialmente as alusões aos deuses, mas não são recolhidas nem desenvolvidas quaisquer cronologias pré-dinásticas, nem aparecem mais imagens de outros objetos testemunhais, nem se fala dos historiadores antigos, etc…

De acordo com a história, o Antigo Império Egípcio começou por volta do ano 3.000 a.C. As notícias históricas mais antigas da Mesopotâmia nos falam do ano 4.000 a.C. A partir dessa data, é verdade que ainda se encontram alguns vestígios e marcas humanas no passado, mas tudo começa a ficar muito confuso…

Em 1991, o geólogo da Universidade de Boston, Robert Schoch, detectou que a Esfinge de Gizé, no Egito, havia sofrido erosão hídrica vários milênios antes do início oficial da civilização egípcia. Por sua vez, os pesquisadores Robert Bauval e Graham Hancock, autores do livro O Mistério de Órion, utilizando um programa de computador que recriava a paisagem astronômica no passado, calcularam que o conjunto de Gizé foi posicionado em direção à constelação de Órion por volta do ano 10.500 a.C.

E essas evidências, ou provas, talvez impossíveis para a História, mas na verdade relativamente recentes, constituem apenas a ponta do iceberg do enigma do passado na Terra. Nossos ancestrais nos contaram em seus escritos muitas coisas, por exemplo, que ocorreu um Dilúvio Universal, um relato que aparece em todas as civilizações do mundo e confirmado na Bíblia. Mas para a ciência e a história atuais, todas essas referências não passam de fabulas e mitologias de ancestrais “atrasados” ou, se preferirem, pouco evoluídos e pouco desenvolvidos.

Como se não bastasse, e paradoxalmente, negar as evidências das provas do passado, gravadas milhares de vezes em tabuletas, muros, esculturas, etc., tornou-se uma atitude moderna e um aval de reputação científica, dentro do mundo acadêmico e em toda a sociedade em geral. Como diz o pesquisador John Anthony West, “todos esses desafios aos dogmas estabelecidos não se encaixam na visão que nós, ‘os espertos’, onde vivemos em nosso mundo de bombas de hidrogênio e pastas de dente com listras” …

Texto da foto: O geólogo da Universidade de Boston, Robert Schoch (à esquerda), detectou erosão pluvial na Esfinge de Gizé, ocorrida vários milênios antes do Antigo Império Egípcio. De acordo com os cálculos astronômicos dos autores de “O Mistério de Órion”, Robert Bauval (à direita) e Graham Hancock (abaixo), o complexo de Gizé foi posicionado em direção a Órion por volta do ano 10.500 a.C.

Vejamos algumas das coisas que os antigos nos contaram e façamos uma viagem no tempo, através dos documentos que nos deixaram…

Mesopotâmia

Nome grego que significa “Entre os rios” e que se refere ao país situado entre os rios Tigre e Eufrates. Abrangia diferentes regiões, como Suméria, ao sul, Acádia, no centro, e Assíria, ao norte. Em muitas cidades desta civilização, foram encontrados muitos objetos e documentos antigos que testemunham as marcas de um passado remoto surpreendente.

Acádia

Cidade situada a 50 km a noroeste de Babilônia, também chamada Akkad, Agade, Abu Habba e Sippar, que significa “cidade dos livros”, o que indica que essa população era famosa por suas bibliotecas. De acordo com as crônicas encontradas pelos arqueólogos, foi a capital do oitavo monarca antediluviano, Emenduranna, que reinou durante 21.000 anos.

As tabuletas de Nippur

Nippur, ou a cidade de Nimrod, a 80 quilômetros a sudeste da Babilônia, foi escavada pela Universidade da Pensilvânia pelos arqueólogos Peters, Haynes e Hilprecht, entre 1880 e 1900. Foram encontradas 50.000 tabuletas que se acredita que foram escritas durante o terceiro milênio a.C., incluindo uma biblioteca de 20.000 volumes, dicionários e obras completas sobre religião, literatura, leis e ciências. Também foram encontrados arquivos de alguns reis muito longevos.

O Prisma dinástico de Weld: A Lista dos Reis Sumérios

Prisma de Weld

São conhecidos mais de uma dúzia de exemplares das Listas dos Reis Sumérios, encontrados na Babilônia, Susa e na Biblioteca Real Assíria de Nínive, do século VII a.C. Acredita-se que todos eles tenham origem em um original que provavelmente foi escrito durante a terceira dinastia de Ur ou um pouco antes. O exemplar mais bem conservado da Lista dos Reis Sumérios é o chamado Prisma de Weld-Blundell.

O Prisma de Weld foi escrito em cuneiforme por volta de 2170 a.C. por um escriba que assina como Nur-Ninsubur, no final da dinastia Isin. O documento oferece uma lista completa dos reis da Suméria desde o início, antes do Dilúvio, até seus próprios dias, quando reinava Sin-Magir, rei de Isin (1827 a.C. – 1817 a.C.), incluindo também e expressamente os 10 reis mais antigos que viveram antes do Dilúvio Universal. Trata-se de um excelente prisma, de barro cozido, que foi encontrado pela expedição Well-Blundell em 1922, em Larsa, lar do quarto rei antediluviano, Kichunna, a poucos quilômetros ao norte de Ur, e que posteriormente foi depositado no Museu Ashmolean de Oxford. Acredita-se que o objeto seja anterior em mais de um século a Abraão e foi encontrado a pouca distância da casa do patriarca hebreu.

A lista começa assim: “Após o Reinado do Céu ter descido, Eridu (local onde, segundo a Bíblia, ficava o Jardim do Éden) tornou-se a sede do Reino”. A Lista dos Reis Sumérios, assim como a Bíblia, fala sobre o Dilúvio: “Depois que as águas cobriram a terra e a Realeza voltasse a descer do Céu, a Realeza se estabeleceu em Kis”. O objetivo da Lista Real era demonstrar precisamente que a monarquia desceu do Céu e que uma determinada cidade havia sido escolhida para dominar todas as outras.

Beroso (Berossus), historiador e escriba babilônico do ano 300 a.C., baseando sua história em arquivos do Templo de Marduk, copiados de inscrições primitivas, muitas das quais foram descobertas, nomeou os 10 Reis Longevos da Suméria, que reinaram entre 10.000 e 60.000 anos cada um. “Nos dias de Xisuthro (Zinsuddu) – diz Beroso – ocorreu o Grande Dilúvio”.

Tanto as Tábuas de Nippur quanto o Prisma de Weld fornecem os nomes e reinados da seguinte forma:

REIREINOU EMDURAÇÃO
AlulimEridu28.000 anos
AlalmarEridu36.000 anos
EmenluannaBadgargurru43.000 anos
KichunnaLarsa43.000 anos
EnmegalannaBadgargurru28.000 anos
DumuziBadgargurru36.000 anos
SiboziannaLarak28.000 anos
EmendurannaSippar21.000 anos
UburratoShuroppak18.000 anos
Zinzuddu
Utnapishtim

“Então, o Dilúvio destruiu a Terra”. Estes são exatamente os mesmos reis citados pelo historiador babilônico Beroso.

EGITO

Nas cronologias da civilização egípcia, também encontramos a presença de seres conhecidos como deuses e semideuses. Os historiadores ortodoxos preferem usar outros nomes, e às vezes os “semideuses” podem ser traduzidos como “manes”, e os espíritos são convertidos em “heróis”. Busca-se uma coerência em uma lógica impossível, mesmo que seja à custa de profanar o “sagrado”. Alguns dos documentos históricos mais significativos que registram o passado da civilização egípcia são, por exemplo, o Papiro de Turim, a Pedra de Palermo e os textos escritos pelo sacerdote egípcio Manetão. Mas há mais.

O Papiro de Turim

Também conhecido como Cânone de Turim, não está completo e está escrito em linguagem hierática. Deduz-se que originalmente devia conter mais de 300 nomes de reis, detalhando com precisão os anos, meses e dias de cada reinado. Reúne os reinados de 10 chamados deuses ou Neteru e de várias dinastias de semideuses, como as dos Shemsu-Hor (Companheiros de Hórus) e os Veneráveis de Mênfis. A cronologia do Papiro de Turim termina assim: “Os Akhu, Shemsu Hor, 13.420 anos; reinados antes dos Shemsu Hor, 23.200 anos; total: 36.620 anos”.

Fragmento do Papiro de Turim

A Pedra de Palermo

Pedra de Palermo

A julgar pelo último rei que aparece na lista, deveria pertencer ao reinado do Faraó Neferirkare (2446 – 2426 a.C.), rei da V dinastia. Trata-se da metade de uma enorme pedra de diorito preto, que originalmente devia medir aproximadamente 2 metros de comprimento e 60 cm de altura, e que atualmente pode ser vista no Museu de Palermo, embora na verdade existam 7 fragmentos no total distribuídos por diferentes museus do mundo. O documento, em escrita hieroglífica, relata 120 reis pré-dinásticos que reinaram antes da existência oficial da civilização egípcia. Mais uma vez, aparecem os nomes dos misteriosos “deuses” e “semideuses”, engrossando as genealogias reais egípcias

Manetão de Heliópolis

Manetão foi um sacerdote egípcio de Heliópolis que viveu no século III a.C., durante os reinados de Ptolomeu I e II, pouco tempo depois do historiador babilônico Beroso, sendo ambos quase contemporâneos. As cronologias detalhadas por Manetão encaixam-se perfeitamente com o Papiro de Turim e a Pedra de Palermo. Manetão escreveu A História do Egito em 3 volumes ou livros, que na verdade já não existem. Mas chegaram até nós fragmentos recolhidos por diferentes autores. Por um lado, as citações de Flávio Josefo (século I d.C.); e, por outro, os textos dos chamados “padres” (autores ligados à Igreja), como Júlio Africano (século III d.C.), Eusébio de Cesareia (século IV d.C.) e Sincelo, conhecido como Jorge, o Monge (século IX d.C.).

Eusébio de Cesareia

Bem, segundo Eusébio, uma dinastia de deuses reinou no Egito durante 13.900 anos: o primeiro deus foi Vulcano, o deus descobridor do fogo, depois o Sol, Sosis, Saturno, Ísis e Osíris, Tifão, irmão de Osíris, e Hórus, filho de Ísis e Osíris. A estes seguiram-se dinastias de semideuses heróis que reinaram durante 11.025 anos. O que perfaz um total de 24.925 anos. A partir dessa época, aproximadamente em 3000 a.C., reinaria o primeiro faraó humano. Parece que oficialmente Narmer é o primeiro faraó homem, também identificado como Narmer, mas certamente houve alguns outros anteriores. De fato, sabe-se que antes de Narmer reinaram outros monarcas, como o Faraó Escorpião e o Faraó Ka.

Lista dos primeiros reis do Egito, segundo Eusébio de Cesareia:

DEUSES 13.900 anos
SEMIDEUSESSemideuses Heróis1.255 anos
 3 Linhagens de Reis1.817 anos
 30 Reis de Menfis1.790 anos
 10 Reis de Tis350 anos
 Semideuses Espirituais5.813 anos
 Subtotal11.025 anos
 Total24.925 anos

Sincelo (Jorge, o Monge)

Segundo Sincelo (Jorge, o Monge), seis dinastias de deuses reinaram durante 11.985 anos. Mais uma vez, Hefesto, deus do fogo, Helios ou Sol, Agatodemon, Cronos ou Saturno, Ísis e Osíris e Tifão, irmão de Osíris. Os primeiros nove semideuses citados por Sincelo são Hórus (filho de Ísis e Osíris), Ares, Anúbis, Hércules, Apolo, Amon, Titões, Sosus e Zeus, abrangendo entre esses nove semideuses um período de aproximadamente 2.645 anos de reinado no Egito. Em seguida, sucedem-se dinastias de semideuses, espíritos, heróis, abrangendo entre todos eles milhares de anos de reinados no Egito, em números semelhantes aos estabelecidos por Eusébio. E tudo isso antes do primeiro faraó começar a reinar no Egito, de acordo com a história oficial.

A primeira dinastia lendária do Egito, segundo Sincelo:

DEUSESREINADO
Hefesto9.000 anos
Helios, filho de Hefesto991 anos
Agatodemon700 anos
Cronos502 anos
Isis e Osíris433 nos
Tifão, irmão de Osíris359 anos
Reinado dos Deuses11.985 anos
SEMIDEUSESREINADO
Hórus, filho de Isis e Osíris309 anos
Ares284 anos
Anúbis210 anos
Hércules185 anos
Apolo309 anos
Amón371 anos
Titões334 anos
Sosus396 anos
Zeus247 anos
Reinado dos primeiros 9 semideuses2.645 anos
Desenho de uma estátua feminina de uma deusa com cabeça reptiliana, procedente de Ur.

Todo mundo concebeu, por exemplo, Ísis e Osíris como personagens exclusivamente mitológicos. No entanto, o historiador Sincelo, para citar apenas um deles, com base nas informações de Manetão, atesta a existência desse casal de deuses e afirma que eles reinaram durante 433 anos. Se todos esses reis fossem figuras inventadas, provavelmente a duração de seus reinados não teria sido registrada com números tão exatos, mas esses períodos teriam sido simplesmente apresentados como intervalos de tempo indefinidos. Chama a atenção, então, por que havia tanta precisão nos cálculos da duração dos reinados, como se fossem eventos completamente reais.

Existem pequenas diferenças entre as cronologias de Eusébio e Sincelo, mas ambas são basicamente muito semelhantes na linha e no conceito essencial. Por exemplo, Sincelo cataloga Hórus como o primeiro dos semideuses, enquanto Eusébio o nomeia como o último dos deuses. Além disso, é preciso levar em conta que ambos os autores, Eusébio de Cesareia no século IV e Sincelo no século IX, assim como todos os outros, sempre contextualizam de alguma forma os nomes dos reis de acordo com suas próprias épocas, culturas, línguas e locais de origem.

Quanto ao aspecto físico dos seres mencionados nas antigas cronologias, de acordo com os registros escritos, sabe-se que os semideuses, heróis, etc., descendentes dos deuses, eram fisicamente muito mais altos, volumosos e fortes do que os seres humanos. Por isso, eram também frequentemente chamados de “gigantes”. A este respeito, foram encontradas inúmeras múmias e esqueletos de indivíduos, espalhados por toda a Terra, que viveram na antiguidade, com mais de 2 metros e até 3 metros de altura. Geralmente tinham cabelos loiros e olhos claros. Por exemplo, através das diferentes fontes de Manetão, fala-se do monarca Sesocris, de quem se diz que sua estatura era de 5 côvados e 3 palmos (cerca de 3 metros).

Seres transformados em híbridos, metade animais, metade humanos, imagens constantemente representadas na antiguidade, consideradas hoje em dia como mitologia. Mas uma mitologia que, no entanto, para os antigos era uma religião muito real. Os deuses, seres reais que possivelmente eram anjos caídos ou demônios, aqueles que se rebelaram no Céu e que, segundo a Bíblia, desceram para habitar a Terra, podiam se materializar e desmaterializar à vontade e adotar qualquer aspecto físico, por exemplo, um híbrido de animal com humano… Parece que tudo começa a fazer sentido!

Outras Fontes

Por sua vez, Júlio Africano volta a referir-se aos deuses, semideuses, heróis e “espíritos”. Ele detalha que, após o Dilúvio, a primeira casa real egípcia teve oito reis, sendo o primeiro deles Narmer , que reinou durante 62 anos. Ele foi atropelado por um hipopótamo (Eusébio especifica que era um deus na forma de hipopótamo) e morreu.

Outros textos antigos incluem trechos de Manetão, como as seleções latinas de Bárbaro, um autor que se acredita ter dependido de Júlio Africano e que poderia ser identificado com o Monge Aniano. Apresenta pequenas diferenças cronológicas habituais, mas também se detém em desenvolver longas genealogias de dinastias divinas e semidivinas.

E outro fragmento do sacerdote egípcio de Heliópolis é registrado na Crônica de Malalas, por volta de 500 d.C., no qual se explica que “o primeiro rei do Egito pertencia à tribo de Cam, filho de Noé, também chamado Naracó, mas antes dele, existiram outros reinos antigos do Egito, já apontados pelo sábio Manetão”.

Não podemos esquecer também o importante testemunho de Diodoro Sículo, um famoso historiador grego do século I a.C., que levou 30 anos para escrever uma História Universal, para a qual visitou todos os lugares e monumentos que mencionou. No Egito, ele foi instruído pelos sacerdotes e eruditos egípcios da época e não duvidou em escrever que os primeiros monarcas do país do Nilo reinavam há 23.000 anos. Mais uma vez, deuses e semideuses apareciam na cronologia do Egito, numa época em que os seres humanos ainda não reinavam.

Mas, além desses valiosos registros, existem outras fontes, como as que o pesquisador Javier Sierra, em parceria com Robert Bauval, reúne em seu livro Em busca da Idade de Ouro: “Robert Bauval me indicou outros documentos egípcios muito mais antigos que os registros de Manetão, para me ajudar a focar o problema. Esses documentos são os já famosos Textos das Pirâmides, encontrados em monumentos desse tipo das V e VI dinastias, ou nos menos conhecidos Textos da Construção*, esculpidos ao longo das paredes dos templos de Edfu e Dendera. Neles, segundo Bauval, está a peça-chave para entender quem foram os verdadeiros fundadores do Egito”.

Por último, também temos, proveniente das terras hebraicas, a Bíblia ou Sagradas Escrituras como documento histórico em apoio à longevidade primitiva, sobretudo na época antediluviana. Em seu primeiro livro, Gênesis, revela-se, por exemplo, que Noé viveu 950 anos. Enós viveu 905 anos. Cainán viveu 910 anos. Malalel viveu 895 anos, e assim por diante.

*Textos da Construção: No Templo de Edfu estão gravados os Textos da Construção. Neles se fala de alguns construtores conhecidos pelo nome dos Sete Sábios, provenientes de uma ilha devastada pelas águas. Esses sábios fundaram uma irmandade secreta (Shemsu-Hor), com o objetivo de preservar, geração após geração, alguns dos conhecimentos matemáticos e astronômicos mais relevantes.

Anos convertidos em Meses

Alguns autores ortodoxos tentaram explicar por que os historiadores egípcios e os documentos encontrados falavam de uns reis antigos tão longevos e da existência de seres considerados deuses e semideuses. De acordo com essa visão, os anos seriam, na verdade, meses, e tudo o que se referia aos deuses deveria ser considerado simples mitologia. Essa seria a única maneira de explicar o enigma das cronologias impossíveis. Mas então surgem várias questões:

  1. – Se todos os historiadores e documentos antigos (pedras, estelas, papiros, etc.) desde a primeira dinastia oficial de Narmer, e seguindo com as dinastias do Império Antigo, Império Médio e Império Novo, sempre contabilizam os anos como anos e nunca como meses, por que se deve considerar que os anos se convertem em meses desde Narmer para trás no tempo?
  2. – Dado o domínio magistral das ciências e os conhecimentos avançados sobre o céu e a astronomia (na antiguidade, astronomia e astrologia eram a mesma coisa) que os egípcios possuíam, como poderiam eles confundir, ou interpretar, um ciclo celeste anual com todas as suas características, estações do ano, passagem das constelações, solstícios, etc., com um ciclo mensal? Para qualquer astrólogo e astrônomo dos dias de hoje, essa explicação seria um disparate absolutamente espetacular. É totalmente impossível imaginar que os eruditos do Egito pudessem cometer tal erro; pelo contrário, acusá-los de tal procedimento é pouco menos que um insulto ao conhecimento dos habitantes das margens do rio Nilo. A conclusão, evidente, é que um ciclo astronômico anual para os egípcios sempre foi de 1 ano natural e nunca de 1 mês. O mesmo cálculo do tempo serviu para medir os reinados dos faraós humanos e dos reis deuses. Precisamente o movimento e a vida da abóbada celeste constituíam para os egípcios a base de sua religião, à qual confiavam suas almas, e respeitar esses ciclos cronológicos e celestes era algo absolutamente sagrado e imprescindível.
  3. – A História e a Ciência oficiais tentaram interpretar os anos como meses porque as contas não batem certo. Inventaram uma contagem do tempo feita à nossa medida, à medida dos seres humanos atuais. Mas a contabilidade cronológica egípcia ou babilônica seguia outro caminho. Já vimos, por exemplo, quando citamos o Papiro de Turim, que os reinados dos reis eram medidos minuciosamente em anos, meses e até mesmo em dias. Portanto, não há justificativa alguma para interpretar ou confundir os anos com os meses, nem os meses com os dias.

Quem era os Akhu?

Bracelete egípcio decorado com deuses aladas.

Algumas das famílias de semideuses que reinaram no Egito são chamadas de “Akhu” ou Espíritos. Akhu deriva da raiz Akh, que significa luz, brilho ou resplendor. Pode ser traduzido como espírito transformado, espírito luminoso, ser desenvolvido ou evoluído, ser transfigurado, ser sobrenatural, etc… O Akhu tinha a qualidade de poder dar ao seu ser qualquer forma que desejasse. Um ser ou espírito se transfigurava para intervir no mundo físico da Terra.

Era um conceito positivo, porque através da transfiguração do Akhu interpretava-se que alguns falecidos tinham alcançado uma posição mais importante do que a que tinham em vida, ou às vezes até voltavam ao plano físico para “ajustar contas pendentes”. O Akhu era representado como “um pássaro”, mas diante das pessoas aparecia como se fosse um fantasma. Eram seres que podiam intervir tanto no plano físico quanto no plano espiritual.

O fato de os Akhu reinarem no Egito Antigo nos confirma a mesma ideia de que os deuses e seus descendentes posteriores, como os Akhu, na verdade eram “anjos caídos” que se rebelaram no Céu.

Cronologias impossíveis em todo o mundo

Mas não foram apenas os egípcios ou babilônios, também os persas, hindus, gregos, etc., todos os povos antigos tinham tradições sobre a grande longevidade dos primeiros habitantes da Terra. Todos os registros do mundo tinham os mesmos erros de cálculo do tempo, referindo-se a reis tão longevos? De onde poderiam vir tais tradições, senão do próprio fato de que os habitantes daquela época remota antediluviana viviam certamente por muito tempo?

Tudo o que foi apresentado aqui é simplesmente a fabulação mitológica dos antigos? Talvez. Mas se, pelo contrário, optarmos por aceitar a versão da ciência oficial atual, então temos que nos preparar para encontrar uma explicação muito mais fantasiosa, ao mesmo tempo que contraditória, já que, por exemplo, datou-se que existiram seres humanos há vários milhões de anos e que, por exemplo, assegura-se que o elo intermediário na suposta cadeia evolutiva entre o macaco e o ser humano é o australopithecus, mas nunca se encontrou nenhum vestígio desse ser.

Cada um terá sua própria opinião sobre todo esse assunto. Eu, particularmente, prefiro os historiadores antigos, as fontes ancestrais e os documentos remotos, afinal, “provas materiais”; referências muito importantes com as quais temos que contar, conservar preciosamente em nossos museus e que não devemos perder de vista. E, acima de tudo, fico com o que também, e complementarmente, nos relata a Bíblia. Mas as teorias hipotéticas de Darwin e as interpretações singulares que a ciência atual faz no campo da antropologia e da pré-história, na minha opinião, não se encaixam e não merecem minha confiança.

Fonte: Mystery Planet

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