Autor: Site Mystery Planet Tradução de: Rafael Barros
Uma discussão acalorada ocorreu no Piers Morgan Uncensored, onde o renomado egiptólogo Zahi Hawass foi confrontado pelos pesquisadores independentes Jimmy Corsetti e Dan Richards, que o acusaram abertamente de restringir o acesso a informações importantes sobre as pirâmides do Egito.

O debate girou em torno de três pontos fundamentais: como essas estruturas monumentais foram construídas, sua possível conexão com as medições geodésicas do planeta e as misteriosas cavidades inexploradas detectadas há quase uma década em seu interior.
Hawass defendeu sua carreira de mais de meio século como explorador no planalto de Gizé e reafirmou a narrativa oficial: as pirâmides foram construídas há cerca de 4.500 anos por cerca de 10.000 trabalhadores egípcios qualificados, e não por escravos, como se costuma pensar. Ele também argumentou que agora existem “todas as evidências” de sua construção, muitas delas documentadas em cenas dos Impérios Antigo e Médio. No entanto, seus interlocutores o desafiaram com argumentos que apontam para uma precisão e escala difíceis de explicar com ferramentas rudimentares.
Corsetti, por exemplo, questionou se blocos de 80 toneladas podem ser levantados mais de 100 metros sem tecnologia avançada e questionou a falta de documentação direta do processo de construção. Richards – que tem experiência em construção – foi além, assinalando que a pirâmide de Quéops tem uma distorção de apenas dois centímetros ao longo de 230 metros, algo que “mesmo hoje em dia não seria possível sem lasers”. Além disso, houve a discussão de um número enigmático: 43.200. De acordo com algumas teorias, a multiplicação da altura ou do perímetro da Grande Pirâmide por esse número produz, com surpreendente precisão, o raio polar e a circunferência da Terra. Embora Hawass tenha descartado qualquer conhecimento de tal correlação, ele admitiu que nunca havia estudado a proposta em profundidade.
O que passou na conversa de Joe Rogan
Um dos momentos mais embaraçosos do debate foi quando Richards fez uma referência à polêmica aparição de Zahi Hawass no programa de Joe Rogan, em que o egiptólogo parecia não estar familiarizado com o termo Zep Tepi, relacionado ao mito egípcio da criação. Richards aproveitou a oportunidade para perguntar novamente se ele estava familiarizado com esse conceito, que é fundamental para aqueles que exploram uma interpretação simbólica e cosmogônica das pirâmides.
Hawass respondeu que ensina cosmogonia egípcia, mas nunca tinha ouvido esse termo específico, o que surpreendeu seus interlocutores, considerando seu peso acadêmico e seu papel como ex-secretário geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. Richards insistiu que o Zep Tepi – a “Primeira Vez” quando, de acordo com a tradição, os deuses fundaram o Egito – é uma pista interpretativa fundamental para aqueles que questionam a versão oficial da origem e do propósito das pirâmides.
Paradoxalmente, essa foi a única menção em todo o debate sobre o que aconteceu no programa de Rogan. Nada foi dito, por exemplo, sobre as supostas estruturas subterrâneas detectadas recentemente sob Gizé por uma equipe italiana usando radar de satélite, descobertas que, se confirmadas, poderiam reconfigurar completamente a compreensão arqueológica do local. A omissão não passou despercebida por muitos espectadores.
Câmaras inexploradas dentro da Grande Pirâmide
Mas o ponto alto foi quando as cavidades detectadas pelo projeto internacional Scan Pyramids, lançado em 2016, foram discutidas. Usando a varredura de múons e outras tecnologias não invasivas, a equipe descobriu espaços vazios atrás dos acessos principais e acima da Grande Galeria. Nove anos depois, Corsetti questionou por que ainda não foi feita uma pequena abertura para explorar esses espaços vazios com uma câmera. “Poderíamos fazer isso neste fim de semana”, disse ele, ao que Hawass insistiu que não se pode “simplesmente perfurar uma maravilha do mundo”, e que os estudos técnicos para decidir como entrar estão em andamento e serão concluídos “antes do fim do ano”.

A pressão aumentou quando os pesquisadores sugeriram que tal demora poderia ser uma tentativa deliberada de evitar descobertas que contradissessem a história oficial. O egiptólogo rejeitou essas acusações: “Não estamos escondendo nada. Se descobríssemos que as pirâmides têm 15.000 anos, nós anunciaríamos”. No entanto, suas respostas evasivas a perguntas específicas – como, por exemplo, se as cavernas já haviam sido secretamente adentradas – geraram uma sensação de opacidade que não passou despercebida.
Embora, no final do programa, Hawass tenha se mostrado cordial e até oferecido uma visita guiada aos seus críticos, o debate revelou uma fenda cada vez mais visível entre a arqueologia institucional e aqueles que promovem visões alternativas do passado. Como as perguntas fundamentais sobre as pirâmides permanecem sem resposta, a desconfiança cresce, alimentada por uma história que ainda parece guardar segredos sob a pedra.
Fonte: Mystery Planet






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