Autor: Mystery Planet                                  Tradução de: Rafael Barros

Embora Hawass tenha negado veementemente, um especialista em radar não descarta a existência de pequenas passagens e câmaras sob as grandes pirâmides egípcias, semelhantes às encontradas na Mesoamérica.

Crédito: AJS1/Reuters.

Uma recente controvérsia surgiu na comunidade arqueológica após as alegações de uma equipe de pesquisadores italianos de que existe uma verdadeira “cidade subterrânea” sob as icônicas pirâmides do planalto de Gizé. No entanto, Zahi Hawass, renomado egiptólogo e ex-ministro de Antiguidades do Egito, chamou as alegações de “notícias falsas” e sem base científica.

A equipe de pesquisadores italianos, liderada por Corrado Malanga, da Universidade de Pisa, afirma ter descoberto enormes poços verticais com escadas em espiral, uma plataforma de calcário com duas grandes câmaras e um sistema de canais descendentes, localizados a mais de 640 metros abaixo da pirâmide de Quéfren. Além disso, eles afirmam ter identificado um sistema de água na área, com passagens subterrâneas que poderiam levar a níveis ainda mais profundos.

Crédito: Corrado Malanga et al.

Os autores do estudo usaram a tecnologia de radar de captação sintética (SAR) combinada com a tomografia Doppler para gerar imagens de alta resolução doa subsolo, semelhante ao sonar usado na exploração oceânica. De acordo com Malanga, os dados coletados sugerem a existência de “todo um mundo oculto de muitas estruturas” e ele especula que elas poderiam ser os míticos “Salões de Amenti” mencionados em textos antigos, o que poderia reescrever a história das pirâmides e da civilização egípcia.

Controversa e crítica

No entanto, Hawass negou essas descobertas em declarações ao The National, afirmando que as técnicas usadas pela equipe italiana “não foram aprovadas nem validadas cientificamente” e que suas afirmações estão “completamente equivocadas”. O egiptólogo também negou que tenha sido usado um radar dentro da pirâmide, refutando a metodologia dos pesquisadores.

A crítica à pesquisa também veio de outros especialistas. O professor Lawrence Conyers, especialista em tecnologia de radar aplicada à arqueologia na Universidade de Denver, disse ao DailyMail.com da Grã-Bretanha que a tecnologia usada pela equipe italiana não é capaz de penetrar a tal profundidade, descrevendo a ideia de uma cidade subterrânea como “um grande exagero”. Contudo, Conyers considerou possível a existência de pequenas passagens e câmaras sob as pirâmides, lembrando que, na Mesoamérica, culturas como a maia costumavam construir pirâmides sobre cavernas ou cavernas com significado cerimonial (o submundo).

Pesquisadores italianos propõem uma interpretação não convencional da pirâmide de Quéfren, sugerindo que ela funcionava como uma espécie de “gigantesca câmara de ressonância” projetada para se encher de água e gerar vibrações de baixa frequência, em vez de servir apenas como uma tumba faraônica. De acordo com essa hipótese, a forma octogonal do monumento e a disposição de suas câmaras internas teriam sido projetadas para canalizar a água e produzir um efeito vibratório para fins curativos e religiosos. Crédito: DailyMail.com/MysteryPlanet.com.ar.

Por outro lado, o escritor e pesquisador britânico Andrew Collins, especializado em assuntos que desafiam nossa percepção do passado, quebrou uma lança em favor do trabalho de Malanga e companhia.

“O que eu acho tão curioso sobre o Dr. Zahi Hawass e sua rejeição das alegações sobre a descoberta de uma megaestrutura sob as pirâmides de Gizé é que ele disse exatamente a mesma coisa sobre o sistema de cavernas que descobrimos lá em 2008. Seis meses depois, ele estava dentro delas para um reality show de TV chamado Chasing Mummies (Perseguindo Múmias), afirmando que foi a melhor experiência que ele já teve em Gizé”, comentou em sua conta no X.

Esse padrão mencionado por Collins alimenta um certo ceticismo em relação às negações imediatas do polêmico egiptólogo, especialmente quando novas descobertas desafiam as narrativas estabelecidas. Embora Hawass seja, sem dúvida, uma das maiores autoridades em seu campo, suas negações contundentes muitas vezes parecem mais uma tentativa de manter o controle sobre a disciplina do que uma abertura genuína ao debate científico. Não seria surpreendente se, daqui a alguns anos, ele mesmo apresentasse essa “cidade subterrânea” como outra grande descoberta.

Os italianos defendem sua postura

A equipe de Malanga, que também inclui Filippo Biondi, da Universidade de Strathclyde, na Escócia, e o egiptólogo Armando Mei, apresentou suas descobertas em reuniões privadas na Itália, mas seus estudos ainda não foram publicados em uma revista científica de prestígio ou revisados por pares de forma independente.

Os pesquisadores argumentam que os poços verticais identificados sob a pirâmide de Quéfren, com um diâmetro entre 10 e 12 metros, poderiam servir como uma estrutura de apoio para a construção monumental. Malanga disse que sua equipe fez cálculos sobre a enorme massa da pirâmide e concluiu que seria necessária uma base sólida para evitar que ela desmoronasse. A porta-voz da equipe, Nicole Ciccolo, sugeriu que as estruturas cilíndricas poderiam ter servido como entradas para o sistema subterrâneo.

Apesar das críticas e do ceticismo em relação à sua teoria dentro da comunidade acadêmica, a equipe italiana continua a defender suas descobertas. Nesse sentido, com a intenção de obter imagens mais detalhadas do subsolo de Gizé, eles esperam expandir seus estudos.

“Os resultados são consistentes e verificáveis. As estruturas estão lá e alguém as construiu. Agora resta descobrir quem e com que finalidade”, concluiu Malanga.

Fonte: Mystery Planet

Deixe um comentário aqui

Tendência