Autor: Wu Mingren                          Tradução de: Rafael Barros

O relevo de Burney (também conhecido como a Rainha da Noite) é uma placa de terracota da antiga Mesopotâmia. O relevo é dominado por uma figura feminina nua com asas e garras. Geralmente se tem identificada como uma deusa, embora os especialistas não estejam de acordo entre eles quanto a divindade que ela supostamente representa. Além da figura feminina, dois pares de animais também aparecem na placa. O relevo de Burney está em exibição hoje no Museu Britânico, em Londres.

Origens do relevo Burney

O relevo Burney recebeu esse nome em homenagem a Sydney Burney, um comerciante britânico de arte e antiguidades. O artefato foi trazido a Londres por um comerciante sírio-libanês por volta da década de 1930, embora sua procedência exata seja desconhecida.

Em 1935, o objeto foi oferecido ao Museu Britânico por £ 350 ($ 390) por Selim Homsy & Co. na representação de Abdul Jabar de Basra. No entanto, o museu recusou a oferta. No ano seguinte, foi publicado um artigo sobre a placa no Illustrated London News, que chamou a atenção de Burney.

Nas décadas seguinte, o relevo de Burney passou pelas mãos de vários colecionadores privados. O último desses colecionadores foi Sakamoto Goro, de quem o Museu Britânico comprou o artefato por £ 1.5 milhões ($ 1.9 milhões) em 2004 para comemorar seu 250 aniversário.

O Relevo de Burney descoberta na Mesopotâmia é datado entre 1800 e 1750 a.C. (Flickr subir bot / CC BY-SA 2.0)

Características do relevo de Burney

O Relevo de Burney é um painel de terracota retangular, que mede 49.5 centímetros (19.5 polegadas) de altura e 37 centímetros (14.6 polegadas) de largura.

Acredita-se que o objeto tenha sido feito na Mesopotâmia e remonta-se por volta do século XIX / XVIII antes de Cristo.

A placa foi modelada a mão e pintada. Embora do releve há muito tempo perdeu suas cores, a análise científica mostra que o ocre vermelho se aplicou no corpo da figura feminina. Além disso, o gesso pode ter sido usado como pigmento branco em determinadas áreas. No entanto, o gesso também poderia ser o resultado da eflorescência de sais presentes na água subterrânea, o que o converte num subproduto indesejável, no local de um pigmento que se aplica deliberadamente no relevo.

Esquema aproximado de colores del relieve de Burney pintado. (Rama /CC BY-SA 2.0)
Esquema aproximado de cores do relevo de Burney pintado. (Rama / CC BY-SA 2.0)

A figura central do relevo de Burney é uma figura feminina nua com asas e garras A figura está representada usando um cocar com quatro pares de chifres encimados por um disco, indicando que ela é uma divindade.

Os braços da figura se elevam ao nível de seus ombros, uma barra e um anel se sustentam em cada mão. A figura também está adornada com um colar e braceletes em seus pulsos.

Além disso, essa figura feminina, dois pares de animais também se representam no Relevo de Burney. É exibido um par de corujas, um de cada lado da divindade feminina, enquanto um par de leões se colocam sob seus pés. Os leões descansam num padrão de escala, que presente representar um terreno montanhoso.

Quem era ela?

O aspecto mais intrigante do relevo de Burney, é sem dúvida, a identidade da figura feminina. Inicialmente, a figura considerava-se uma representação de um demônio conhecida como Lilitu (da qual seja Lilith judaica). Isso se baseia nas asas da figura, a garra e a presença de corujas. A propósito, é devido à identificação da figura como Lilitu que o relevo também ficou conhecida como a Rainha da Noite. Essa interpretação, no entanto, é geralmente rejeitada pelos estudiosos atualmente.

Mulher com as mãos na cintura

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa
Lilitu, também conhecida como Lilith, é discutido como uma entidade representada no Relevo de Burney. (Themadchopper / Domínio Público)

Em troca, a figura no Relevo de Burney é considerada como uma deusa. Alguns estudiosos têm argumentado que a figura pretende representar Inanna (mais tarde equiparada a Ishtar), uma deusa mesopotâmica considerada como Rainha do Céu.

O cocar usado pela figura indica que ela era uma deusa importante, apoiando sua identificação como Inanna. Além disso, a presença de leões também é notada, pois Inanna é a única deusa da Mesopotâmia associada a esse animal. Além disso, seus ornamentos estão associados ao mito conhecido como a descida de Inanna ao submundo.

Una ilustración moderna que representa el descenso de Inanna-Ishtar al inframundo, algunos creen que ella es la entidad representada en el relieve de Burney. (Fæ / Dominio Público)
Uma ilustração moderna que representa a descida de Inanna-Ishtar ao submundo, alguns acreditam que ela é a entidade representada no relevo de Burney. (Fæ / Domínio Público)

O debate continua: Rainha do céu do Rainha do submundo?

Outros, no entanto, tem sugerido que a figura deva representar a Ereshkigal, a irmã mais velha e rival de Inanna. Enquanto Inanna era Rainha do Céu, Ereshkigal eram a Rainha do submundo.

A identificação da figura como Ereshkigal se baseia no fato de que as asas das deusas se montra apontando para baixo. Se a figura estava destinada a representar a Inanna, segundo o argumento, as asas teriam que ser abertas para fora.

A presença dos símbolos de Inanna é explicada pela sugestão de que o relevo retrata Ereshkigal após seu triunfo sobre sua irmã. No mito da descida de Inanna ao submundo, Inanna é forçada a se desfazer de seus ornamentos ao passar pelo reino de sua irmã, e o relevo pode ser uma representação da conclusão da história.

O revelo de Burney não é o único objeto desse tipo. Uma placa similar pode-se encontrar no Museu do Louvre. No entanto, a qualidade desse relevo não é tão boa quanto do relevo de Burney. No entanto, está claro que ele retrata uma mulher nua com asas e garras. Outra diferença notável são os animais representados com a deusa. Em vez de leões, a deusa nesse relevo é mostrada em pé sobre um par de animais com chifres, talvez cabras ou gazelas.

Imagens da capa: The Burney Relief. Fonte: Neuroforever / CC BY-SA 4.0.

Fonte: Ancient Origins ES

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